O escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e ministros do Supremo Tribunal Federal ganhou novos capítulos com a divulgação de mensagens e documentos extraídos de seu celular pela Polícia Federal. Vorcaro foi preso preventivamente em novembro de 2025 e novamente em março de 2026, sob acusações de fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de justiça. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após investigações revelarem irregularidades em operações com o Banco Regional de Brasília.
Mensagens interceptadas mostram que Vorcaro mantinha contatos próximos com ministros do STF, incluindo Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Toffoli atuou como relator inicial do caso no STF, impondo sigilo ao processo em novembro de 2025. Documentos indicam investimentos de pessoas ligadas a Vorcaro em empreendimentos imobiliários de familiares de Toffoli, como o Resort Tayayá, no Paraná, com participação de um fundo ligado ao Banco Master. Relatórios da PF apontam menções a pagamentos de R$ 35 milhões para uma empresa familiar do ministro.
No caso de Alexandre de Moraes, o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Mensagens revelam trocas entre Vorcaro e Moraes, incluindo uma no dia 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão do banqueiro. Vorcaro escreveu: "Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?" Moraes respondeu com mensagens de visualização única, cujo conteúdo não foi recuperado. Outras conversas indicam encontros pessoais, incluindo uma reunião na casa de Vorcaro com a presença de Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, e visitas durante férias em Campos do Jordão.
Vorcaro financiou eventos internacionais com a presença de ministros do STF, como fóruns em Nova York, Paris, Londres, Rio de Janeiro e Roma, entre 2022 e 2024. Em Nova York, em 2022, o Banco Master custeou um jantar de gala para ministros como Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski. Conversas interceptadas mostram Vorcaro se gabando de discursar para ministros do STF e do STJ, descrevendo o episódio como "muito louco" em mensagens para sua namorada.
Investigações da PF revelaram que Vorcaro mantinha uma estrutura de vigilância e intimidação, com acesso a sistemas da PF e da PGR, além de planos para coagir testemunhas e jornalistas. Em março de 2026, o ministro André Mendonça, novo relator do caso, autorizou a prisão de Vorcaro e aliados, bloqueando R$ 2,2 bilhões em bens. Mendonça criticou a Procuradoria-Geral da República por não reconhecer a urgência das medidas, afirmando que a demora era "extremamente perigosa para a sociedade" diante de evidências de crimes graves e risco de obstrução.
O Procurador-Geral da República (PGR) é o chefe do Ministério Público Federal e do Ministério Público da União, exercendo as funções do órgão perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e, em algumas hipóteses, o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Suas principais atribuições incluem defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais e individuais indisponíveis; promover ações penais públicas, especialmente contra autoridades com foro privilegiado; propor ações diretas de inconstitucionalidade e outras medidas de controle de constitucionalidade; atuar como fiscal da lei em processos de competência do STF, sendo ouvido obrigatoriamente em ações de inconstitucionalidade e em todos os casos sob análise da Corte; e representar a União em certas causas cíveis e penais. O PGR também exerce a função de procurador-geral eleitoral e preside o Conselho Nacional do Ministério Público.
O caso tramita no STF desde novembro de 2025, após defesa de Vorcaro alegar conexão com autoridades com foro privilegiado. A Segunda Turma do STF analisa a prisão de Vorcaro, com participação prevista de ministros como Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Toffoli solicitou remoção do caso, mas o processo segue sob análise.
Apesar das revelações, a PGR manteve silêncio sobre as ligações entre Vorcaro e ministros, não manifestando apoio imediato às prisões solicitadas pela PF. Em fevereiro de 2026, a revista britânica The Economist descreveu o envolvimento do STF como um "enorme escândalo", destacando questionamentos sobre a conduta de magistrados e reacendendo debates sobre a independência do Judiciário.O escândalo expõe uma rede de contatos de Vorcaro em Brasília, abrangendo políticos de diversos espectros e autoridades judiciais.
Investigações apontam infiltração em instituições, com servidores do Banco Central sob sindicância por relações com o banqueiro. Um capanga de Vorcaro tentou suicídio na prisão, e depoimentos de diretores do BC abriram novos capítulos no inquérito.
A ausência de posicionamento da PGR, mesmo diante de indícios de influência indevida e riscos à integridade de investigações, tem gerado inquietação entre a população, com demandas por transparência e celeridade no esclarecimento dos fatos.
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