Banco Master repassou R$ 18 milhões a consultoria que pagou filho de ministro do STF

O conglomerado financeiro Banco Master transferiu R$ 18 milhões a uma consultoria que realizou pagamentos ao filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques. O repasse ocorreu no período em que a instituição operava sob questionamentos regulatórios.
Por: Carol Barbalho 19.mar.2026 às 09h26 - Atualizado: 19.mar.2026 às 09h28
Banco Master repassou R$ 18 milhões a consultoria que pagou filho de ministro do STF
Foto: Rosinei Coutinho/STF
A operação integra o contexto de investigações e medidas tomadas pelo Banco Central em relação ao conglomerado. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. A decisão foi motivada por grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

Ao mesmo tempo, foi instaurado o Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no Banco Master Múltiplo S/A, com o objetivo de tentar viabilizar a continuidade dos negócios de sua controlada, a Will Financeira (Will Bank). Posteriormente, em janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial foi estendida à Will Financeira, após descumprimento de obrigações e bloqueio de participação em arranjos de pagamento.

Em março de 2026, o Banco Central converteu o RAET do Banco Master Múltiplo em liquidação extrajudicial, interrompendo definitivamente suas operações, pois não mais subsistiam motivos para manutenção do regime especial, especialmente após a liquidação da Will Financeira.

As liquidações do conglomerado geraram impacto significativo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com estimativas de rombo próximo a R$ 52 bilhões, representando a maior cobertura da história do fundo. Milhares de credores ainda aguardam ressarcimento de valores elegíveis à garantia.

Outras instituições anteriormente ligadas ao grupo, como o Banco Pleno S/A e a Pleno DTVM, também tiveram liquidação extrajudicial decretada em fevereiro de 2026, devido a comprometimento econômico-financeiro e descumprimento de normas regulatórias.

O caso envolveu ainda operações policiais, prisões de controladores e administradores, indisponibilidade de bens e questionamentos sobre a supervisão realizada pelo Banco Central, incluindo apurações pelo Tribunal de Contas da União (TCU).


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