O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta segunda-feira (23.mar.2026) sua renúncia ao cargo. A decisão foi tomada na véspera da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que pode resultar na cassação de seu mandato e na declaração de inelegibilidade.
Em pronunciamento de cerca de 20 minutos no Palácio Guanabara, Castro afirmou que deixa o governo “com a cabeça erguida” e com gratidão. Ele relembrou sua trajetória improvável: de vereador de primeiro mandato a vice-governador e, depois, governador do estado. “A figura do governador do Rio voltou a ser respeitada e querida”, destacou.
Durante o discurso, sem responder perguntas, o governador listou principais realizações de sua gestão, como os investimentos em segurança pública, a concessão dos serviços de saneamento básico e diversas obras realizadas. Ele também fez críticas indiretas ao ex-governador Wilson Witzel, de quem foi vice até o impeachment em junho de 2020. “Se tive um antecessor que não valorizou a cadeira de governador, eu vivi intensamente esses seis anos com orgulho. Essa cadeira foi o ápice da minha carreira”, declarou.
A renúncia tem como objetivo principal permitir que Castro concorra a uma vaga no Senado nas eleições de outubro. Ao deixar o cargo agora, ele busca garantir uma eleição indireta para preencher o mandato-tampão até o fim de 2026, evitando um pleito direto que poderia ocorrer caso o TSE casse seu mandato.
Atualmente, o julgamento no TSE está com placar de 2 a 0 pela cassação e inelegibilidade. Com a saída antecipada, a defesa pretende esvaziar o processo ou ao menos alongar a discussão sobre a inelegibilidade, preservando a possibilidade de candidatura ao Senado.
A carta de renúncia será assinada ainda nesta segunda-feira em evento oficial no Palácio Guanabara. Com a vacância do cargo de governador e sem vice em exercício, assume interinamente o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto de Castro.
A linha sucessória foi desmontada desde maio de 2025, quando Castro convenceu o então vice-governador Thiago Pampolha a deixar o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. A manobra abriu caminho para Rodrigo Bacellar (União Brasil) assumir a vice-governadoria e, posteriormente, presidir a Assembleia Legislativa. O plano previa que Bacellar fosse eleito governador-tampão pela Alerj em caso de renúncia de Castro.
No entanto, o esquema desmoronou após Bacellar ser preso e afastado por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de vazar informações de uma operação que prendeu o ex-deputado TH Joias, ligado ao Comando Vermelho. Bacellar nega as acusações. Ele foi substituído por Guilherme Delaroli (PL) na presidência da Assembleia, mas como presidente interino, Delaroli não pode assumir o governo estadual.
Cláudio Castro assumiu o governo em 2020 após o impeachment de Witzel e completou seis anos no comando do estado. Agora, ele se prepara para disputar uma vaga no Senado Federal, mantendo a postura de que deixa o Executivo com a consciência tranquila e o cargo valorizado.
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