Mulher é presa por pichação contra terreiro de candomblé em Salvador

Suspeita de 45 anos foi detida na Pituba por ataque de intolerância religiosa com pichações ofensivas em terreiro de Cajazeiras XI
Por: Brado Redação 06.jul.2026 às 16h55 - Atualizado: 06.jul.2026 às 20h50
Mulher é presa por pichação contra terreiro de candomblé em Salvador
Foto: Reprodução

Uma mulher de 45 anos foi presa preventivamente na manhã desta segunda-feira (6) na Pituba, em Salvador, acusada de envolvimento em um ataque a um terreiro de candomblé localizado em Cajazeiras XI. A ação policial incluiu o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência da suspeita.

A detenção é resultado de investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin). A mulher responde pelos crimes de racismo religioso e dano qualificado. Segundo a polícia, ela teria pichado a fachada e o portão do terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza com frases ofensivas, como “assassinos” e “Jesus”, escritas com tinta vermelha.

O terreiro, que existe há 33 anos na comunidade, teve o portão de pedestres, interfone e caixa de correio também atingidos. O babalorixá Pai Mutá relatou que uma filha de santo encontrou as pichações logo cedo e que esse foi o primeiro ataque do tipo sofrido pelo espaço religioso. Ele destacou a boa convivência com os vizinhos e os trabalhos sociais realizados pelo terreiro na região.

Em nota, o terreiro afirmou: “Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por Justiça”.

O caso ganhou repercussão nacional. A Fundação Cultural Palmares emitiu nota de repúdio, classificando o ato como grave violação à liberdade religiosa e reforçando que agressões contra terreiros de matriz africana não são casos isolados, mas violações sistemáticas aos direitos fundamentais. A fundação manifestou solidariedade ao Pai Mutá e à comunidade.

Durante a busca na casa da suspeita, os policiais apreenderam dois celulares, um notebook e agendas, que serão periciados. As investigações continuam para esclarecer completamente os fatos. Após os procedimentos legais, a mulher permanece à disposição da Justiça.

O episódio reacende o debate sobre a intolerância religiosa e a necessidade de proteção aos espaços de culto de religiões de matriz africana na Bahia.



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