O gestor Luis Stuhlberger, da Verde Asset, classificou como excessivo e desproporcional o patamar atual de despesas do governo brasileiro, afirmando que o Brasil mantém um gasto público “insano” para um país emergente e de renda per capita baixa.
Em participação no evento do UBS BB realizado nesta terça-feira (27 de janeiro de 2026), Stuhlberger destacou que o Estado consome cerca de 38,5% do PIB, mesmo com déficit primário controlado em torno de 0,5% a 0,6%. “Não existe paralelo” para essa proporção em nações semelhantes, argumentou, apontando que o volume de gastos impulsiona o consumo público, incluindo juros, para próximo de 50% do PIB quando considerados todos os componentes.
Ele observou que essa dinâmica explica parte da resiliência da economia atual: o governo atua como grande consumidor, com 112 a 113 milhões de brasileiros recebendo algum tipo de transferência mensal, o que sustenta o movimento em restaurantes, shoppings e aeroportos lotados. Apesar do bom desempenho de empresas e da normalidade aparente, o gestor alertou para a inviabilidade da fórmula a médio e longo prazo. “Estamos mantendo um status através de uma fórmula que é inviável”, disse, questionando o impacto de um eventual ajuste fiscal mais rigoroso: “O dia que isso acabar, o que acontece com a nossa economia?”.
Sobre a trajetória da dívida, Stuhlberger projetou que o governo encerrará o mandato com endividamento em torno de 82% do PIB, com acréscimo anual de cerca de três pontos percentuais, mesmo considerando revisões do PIB nominal e alterações na composição dos títulos. Ele recomendou aos investidores cautela no posicionamento, sugerindo hedges eleitorais baratos e diversificação entre bolsa, juros e câmbio, sem concentração excessiva em ativos brasileiros.
No cenário político para 2026, o gestor se mostrou pessimista em relação ao mercado, que ele considera complacente com a possibilidade de novo mandato de Lula. Previu uma disputa acirrada e binária, com chances próximas de 50/50 até o final da campanha. Stuhlberger também mencionou a forte entrada de capital estrangeiro na bolsa recente, mas alertou para a volatilidade: mercados pequenos como o brasileiro podem sofrer reversões rápidas com realocações marginais de fundos globais.
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