Com Selic a 15%, taxa de juros real no Brasil atinge maior patamar em duas décadas

Juros básicos mantidos em 15% ao ano pelo Copom deixam Brasil com o maior custo real de crédito entre grandes economias emergentes, superando níveis vistos desde o início dos anos 2000
Por: Brado Jornal 29.jan.2026 às 09h01
Com Selic a 15%, taxa de juros real no Brasil atinge maior patamar em duas décadas
Raphael Ribeiro/BC
A taxa de juros real no Brasil alcançou o nível mais elevado em 20 anos após a decisão do Copom de manter a Selic em 15% ao ano na reunião de janeiro de 2026. O patamar real, calculado subtraindo a inflação projetada da taxa nominal, chegou a cerca de 9,5% ao ano, considerando as expectativas de IPCA para os próximos 12 meses em torno de 5,5%.

Esse é o maior custo real de financiamento desde o período logo após o Plano Real, quando a economia ainda lidava com altas taxas nominais e inflação residual elevada. Entre as principais economias emergentes, o Brasil supera com folga países como Turquia (cerca de 7% real), África do Sul (aproximadamente 6%) e México (perto de 5%), configurando o ambiente de crédito mais caro do grupo.

A manutenção da Selic em dois dígitos reflete a preocupação do Banco Central com a inflação de serviços e núcleos persistentes, além do cenário fiscal desafiador e da desancoragem parcial das expectativas de longo prazo. Economistas apontam que o juro real elevado pressiona o consumo das famílias, encarece o crédito para empresas e limita a recuperação mais robusta da atividade econômica, mesmo com o PIB ainda mostrando resiliência puxada por transferências sociais e mercado de trabalho aquecido.

O ciclo atual de aperto monetário, iniciado em 2024, já acumula elevações que levaram a Selic do piso histórico de 2% para os atuais 15%, o maior nível desde 2006. Analistas projetam que a taxa permaneça elevada por boa parte de 2026, com início de cortes possivelmente só no segundo trimestre, dependendo da evolução da inflação e da condução fiscal do governo.

A combinação de Selic alta e inflação controlada (mas acima da meta) resulta no maior juro real desde o início do século, reforçando o dilema entre controle inflacionário e estímulo ao crescimento em um ano pré-eleitoral.


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