Grupo Fictor entra com recuperação judicial após crise ligada ao Banco Master

O Grupo Fictor protocolou no domingo (1º de fevereiro) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, abrangendo as empresas Fictor Holding e Fictor Invest, com dívidas que somam cerca de R$ 4 bilhões.
Por: Brado Jornal 02.fev.2026 às 09h40 - Atualizado: 02.fev.2026 às 09h49
Grupo Fictor entra com recuperação judicial após crise ligada ao Banco Master
Reprodução / X
A medida foi motivada por uma grave crise de liquidez desencadeada após o fracasso na aquisição do Banco Master, anunciado em novembro de 2025 por um consórcio liderado por um dos sócios do grupo. A operação, que previa aporte de R$ 3 bilhões e envolvia supostos fundos árabes, foi suspensa um dia depois, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.

O episódio gerou forte impacto reputacional, com especulações e notícias negativas que abalaram a confiança do mercado. Isso resultou em um aumento de aproximadamente 70% nos pedidos de resgate por parte de cerca de nove mil investidores pessoa física que aplicaram recursos via Sociedades em Conta de Participação (SCPs), instrumentos que prometiam retornos de até 18% ao ano e dividendos mensais, mas sem fiscalização do Banco Central, sem cobertura do FGC e sem garantias reais.

Os maiores credores são justamente esses investidores das SCPs, com exposição de R$ 2,8 bilhões, seguidos pela bandeira de cartões Amex, com cerca de R$ 1,2 bilhão relacionados à antecipação de recebíveis pela FictorPay. O grupo solicitou a suspensão de cobranças e bloqueios judiciais por 180 dias, enquanto negocia o plano de recuperação com os credores, sem envolvimento de bancos, prevendo pagamento em até cinco anos sem deságio.

A empresa, fundada por Rafael Gois em 2007 e atuante em áreas como alimentos, energia, imobiliário e soluções de pagamento, destaca que as subsidiárias operacionais, incluindo a Fictor Alimentos (listada na bolsa após IPO reverso), não estão incluídas no pedido e continuam gerando caixa e mantendo atividades normais, preservando cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos.

O grupo menciona negociações para aporte inicial de R$ 200 milhões via DIP Financing, possivelmente com a Royal Capital (um dos fundos árabes do consórcio original), e planeja regularizar a situação em estrutura mais segura. A Abai (Associação Brasileira de Assessores de Investimento) já solicitou à CVM análise sobre possíveis irregularidades na captação via SCPs. 


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