Produtores enfrentam escassez e alta abusiva do diesel em plena colheita no RS e PR

Conflito no Oriente Médio eleva petróleo e gera suspeitas de especulação, com impactos diretos nas lavouras de soja e arroz
Por: Brado Jornal 13.mar.2026 às 10h35
Produtores enfrentam escassez e alta abusiva do diesel em plena colheita no RS e PR
Reprodução
Agricultores do Rio Grande do Sul e do Paraná enfrentam sérias complicações no abastecimento de diesel justamente durante a fase crítica de colheita de soja, arroz e outras culturas de verão. Relatos apontam para escassez do combustível nas entregas diretas às propriedades e elevações expressivas nos valores cobrados, o que eleva os custos operacionais e ameaça atrasar as operações no campo.

Produtores relatam que transportadores revendedores retalhistas (TRRs), responsáveis pela distribuição em áreas rurais, estão com dificuldades para obter o produto junto às distribuidoras, resultando em listas de espera, cancelamentos de pedidos e estoques zerados em várias regiões. No RS, cidades como Pelotas, Erechim e outras do sul e norte registram que cerca de 20% dos agricultores enfrentam problemas, com aumentos que chegam a 55% em alguns casos, de R$ 5 para até R$ 7 ou mais por litro. No PR, municípios como Rio Azul, Faxinal, Guarapuava, Prudentópolis e Irati também apresentam queixas semelhantes desde o início da semana.

A situação coincide com a escalada dos preços internacionais do petróleo, impulsionada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que levou o barril a patamares acima de US$ 100. Apesar de a Petrobras não ter anunciado reajuste oficial no Brasil, o diesel já acumula alta de cerca de 7% nos primeiros dias de março. Entidades do setor, como a Farsul (RS), a FAEP (PR), o Sindicato Rural de Erechim e a Federarroz, suspeitam de especulação no mercado interno: distribuidoras e revendedores estariam retendo estoques comprados a preços mais baixos (com petróleo abaixo de US$ 60) para lucrar com a alta, priorizando clientes maiores e deixando as TRRs, que atendem o agro, em desvantagem.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) nega desabastecimento geral no país e afirma que há estoques suficientes no RS e PR, tendo notificado distribuidoras para prestar esclarecimentos e aberto apurações sobre possíveis irregularidades nos preços. Produtores e lideranças do agronegócio cobram maior transparência na cadeia e medidas para evitar prejuízos à safra, que pode sofrer atrasos expostos a condições climáticas adversas. Alguns defendem aceleração no aumento da mistura de biodiesel para ampliar a oferta doméstica e reduzir dependência de importações (que representam 25-30% do consumo nacional).


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