Vereador baiano e parlamentares brasileiros viajam a CPAC nos EUA para defender Bolsonaro

Evento conservador americano se transforma em palco de defesa ao ex-presidente brasileiro, enquanto questionamentos surgem sobre o uso de recursos públicos em deslocamentos de vereadores e deputados
Por: Brado Jornal 27.mar.2026 às 08h29 - Atualizado: 27.mar.2026 às 08h35
Vereador baiano e parlamentares brasileiros viajam a CPAC nos EUA para defender Bolsonaro
Rachel Royster [email protected]
O vereador de Salvador, Cezar Leite (PL-BA), viajou aos Estados Unidos para participar da Conservative Political Action Conference (CPAC) 2026, realizada entre 25 e 28 de março em Grapevine, no Texas. Durante o evento, o parlamentar baiano, médico de formação e em seu segundo mandato na Câmara Municipal de Salvador, concedeu entrevista à imprensa americana na qual denunciou o que classifica como perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A participação de Cezar Leite, um vereador municipal, chamou atenção por distanciar-se das atribuições típicas do cargo, que se concentram em legislar sobre temas locais como saúde, educação, mobilidade e fiscalização do executivo municipal em Salvador. Em vez de priorizar demandas da capital baiana, o parlamentar optou por cruzar o continente para integrar debates de política externa e nacional, com foco na defesa de Bolsonaro. Parlamentares federais, por sua vez, possuem mandato mais amplo para tratar de assuntos internacionais, mas a ênfase exclusiva na causa bolsonarista durante o evento levanta questionamentos sobre a prioridade dada a pautas de interesse direto dos eleitores.

Ainda não há informações oficiais sobre o custeio da viagem dos parlamentares municipais ou estaduais que possam ter acompanhado a comitiva. Permanece a dúvida se recursos públicos (diárias, passagens ou verbas de gabinete) foram utilizados para financiar o deslocamento até o Texas. No caso de deputados e senadores, o uso de cotas parlamentares ou verbas indenizatórias para eventos no exterior também costuma gerar controvérsias quando o foco se volta para agendas pessoais ou partidárias em detrimento de missões oficiais.

A edição americana da CPAC, historicamente um fórum amplo do conservadorismo nos Estados Unidos, tem se consolidado nos últimos anos como um evento cada vez mais alinhado ao trumpismo, com discursos centrados na figura de Donald Trump e em temas específicos de sua base. Da mesma forma, a CPAC Brasil, idealizada por Eduardo Bolsonaro, evoluiu para um espaço predominantemente bolsonarista, priorizando a defesa do ex-presidente e de suas pautas em vez de um conservadorismo mais amplo e plural. Essa transformação em ambos os países reduziu o caráter originalmente conservador dos encontros, convertendo-os em palcos de mobilização política em torno de lideranças específicas.

Além do vereador Cezar Leite (PL-BA), participaram da CPAC 2026, nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que discursou como palestrante e pré-candidato à Presidência; o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), organizador da CPAC Brasil e figura central do evento; o deputado federal Capitão Martim (PL-RS); o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ); o deputado estadual Paulo Mansur (PL-SP); o deputado estadual Coronel Azevedo (pelo Rio Grande do Norte); o vereador Rafael Satiê; e o vereador Fábio Lopes, de João Pessoa.

Essas presenças reforçam o caráter cada vez mais bolsonarista e trumpista do fórum, distante de um conservadorismo amplo, e levantam novamente questionamentos sobre o distanciamento das atribuições parlamentares, especialmente de vereadores municipais, e o possível uso de recursos públicos em viagens internacionais focadas na defesa de Jair Bolsonaro.



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