O Paysandu celebra 112 anos de tradição e glórias no futebol brasileiro

Maior campeão da Amazônia mantém legado de conquistas nacionais, internacionais e paixão da torcida bicolor
Por: Evelyn Santos 02.fev.2026 às 10h08
O Paysandu celebra 112 anos de tradição e glórias no futebol brasileiro
Foto: Wellison Vasconcelos/Paysandu
O Paysandu Sport Club marca, nesta segunda-feira (2 de fevereiro), 112 anos de existência, consolidando-se como um dos pilares do futebol fora do eixo Sul-Sudeste. Criado em Belém no dia 2 de fevereiro de 1914, o clube ostenta o posto de maior vencedor da Região Norte, com um total de 59 títulos oficiais acumulados ao longo de sua trajetória.

O nome do clube remete à cidade uruguaia de Paysandú, cenário da "Tomada de Paysandú" em 2 de janeiro de 1865, episódio que envolveu forças brasileiras sob comando do general Mena Barreto e do almirante Tamandaré durante conflitos internos uruguaios entre os partidos Blanco e Colorado. Essa referência histórica reforça os atributos de coragem e resistência que definem a identidade do Papão da Curuzu.

No escudo atual, destacam-se três estrelas: duas prateadas simbolizando os títulos da Série B do Brasileirão em 1991 e 2001, e uma dourada central representando a Copa dos Campeões de 2002. O pé alado, elemento clássico, evoca a velocidade imbatível que o time sempre buscou impor aos adversários.

O mascote "Lobo Mau", ou "Papão da Curuzu", nasceu em 1948 pelas mãos do jornalista Everardo Guilhon. Inicialmente chamado de "bicho-papão" para expressar o temor que o Esquadrão de Aço causava nos rivais, o personagem evoluiu e hoje é ícone presente em jogos, eventos e interações com a Fiel Bicolor nos estádios Curuzu e Mangueirão.

O ápice das conquistas veio com a Copa dos Campeões de 2002, torneio do qual o Paysandu permanece como campeão eterno. Após vencer a Copa Norte, o clube integrou o Grupo A com Náutico, Corinthians e Fluminense, aproveitando o mando de campo no Mangueirão reformado (capacidade aproximada de 45 mil pessoas). Na decisão, realizada no Castelão, superou o Cruzeiro nos pênaltis, erguendo o troféu mais importante de sua história.

Essa vitória histórica garantiu a participação inédita na Copa Libertadores da América de 2003, tornando o Paysandu o único representante da Região Norte na competição continental. Na fase de grupos, contra Cerro Porteño, Sporting Cristal e Universidad Católica, terminou na liderança com 14 pontos em seis jogos. Nas oitavas, venceu o Boca Juniors por 1 a 0 na Bombonera, na Argentina. No retorno, apesar da greve de ônibus e casa lotada no Mangueirão, a equipe foi eliminada após derrota por 4 a 2.

No âmbito estadual, o domínio é incontestável: o clube detém 50 títulos do Campeonato Paraense. Na Copa Verde, lidera o ranking com cinco conquistas (2016, 2018, 2022, 2024 e 2025). Somando todas as taças regionais e amazônicas, chega a 59 troféus oficiais.

Momentos marcantes incluem a maior goleada do clássico Re-Pa: em 22 de julho de 1945, vitória por 7 a 0 sobre o rival no Baenão, recorde que persiste. Logo após a fundação, o clube alterou o nome de Paysandu Foot-ball Club para Paysandu Sport Club, apenas 17 dias depois.

Entre os ídolos, Yago Pikachu detém o recorde de gols como defensor, com 62 tentos em 213 jogos. O recordista de partidas é o meia-esquerda Quarentinha, com 750 aparições entre 1955 e 1973.

Aos 112 anos, o Paysandu segue representando com orgulho o futebol paraense e nortista, sustentado por uma torcida apaixonada que perpetua sua rica história de superação e vitórias.


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