Banco Master pagou R$ 5 milhões a escritório de Lewandowski após posse como ministro

Contrato de consultoria jurídica de R$ 250 mil mensais continuou por 21 meses com filhos do ex-ministro, totalizando R$ 5,25 milhões pagos após entrada no MJSP, segundo apuração
Por: Brado Jornal 26.jan.2026 às 21h16
Banco Master pagou R$ 5 milhões a escritório de Lewandowski após posse como ministro
Marcelo Camargo / Agência Brasil
O Banco Master manteve um contrato de consultoria jurídica estratégica com o escritório de advocacia ligado à família do ex-ministro Ricardo Lewandowski, mesmo após ele assumir o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Lula, em janeiro de 2024.

O acordo, assinado em 28 de agosto de 2023, previa pagamentos mensais de R$ 250 mil e vigorou até setembro de 2025, totalizando cerca de R$ 6,5 milhões brutos. Desse montante, aproximadamente R$ 5,25 milhões foram desembolsados nos 21 meses subsequentes à posse de Lewandowski no Ministério da Justiça.

Ao ingressar no governo, o ex-ministro do STF formalizou sua saída da sociedade em 17 de janeiro de 2024, suspendeu o registro na OAB e deixou de atuar diretamente como advogado. A partir daí, o escritório passou a ser administrado por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski. Apesar da continuidade dos repasses, não houve entregas relevantes ou participação significativa do filho Enrique nos serviços prestados ao banco, conforme apuração da coluna.

A indicação inicial de Lewandowski para o contrato veio do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, que o recomendou como “bom jurista” logo após sua aposentadoria do Supremo, em abril de 2023. Wagner confirmou ter sido consultado pela direção do Banco Master, mas negou envolvimento na contratação de outros nomes, como o ex-ministro Guido Mantega.

A assessoria de Lewandowski esclareceu que os serviços foram prestados no intervalo entre sua saída do STF e a entrada no Ministério da Justiça, e que ele se afastou completamente da advocacia ao aceitar o cargo público. Já a defesa de Daniel Vorcaro, controlador do banco, defendeu que as contratações ocorreram dentro de padrões profissionais e técnicos regulares.

O caso se insere no contexto mais amplo do Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 após investigações sobre fraudes em títulos e operações financeiras.


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