Centenas de manifestantes se reuniram em diferentes cidades do Brasil para exigir justiça pela morte do cão Orelha, um animal comunitário de cerca de 10 anos que foi atacado em 4 de janeiro na Praia Brava, em Florianópolis, Santa Catarina. Devido à gravidade dos ferimentos, o animal foi submetido a eutanásia para encerrar seu sofrimento. O caso ganhou repercussão nacional e motivou atos contra maus-tratos a animais.
Em São Paulo, o protesto ocorreu no domingo na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP). Participantes levaram seus próprios pets, exibiram cartazes pedindo justiça e o fim da violência contra animais, além de imagens de Orelha. O nome do cão foi entoado diversas vezes, seguido de aplausos, simbolizando a luta contra o abuso animal. Manifestações semelhantes estão programadas em outras capitais, incluindo Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.
Em Salvador, o ato aconteceu na manhã de domingo, 1º de fevereiro de 2026, no Farol da Barra. Residentes, protetores de animais e organizações de defesa dos direitos animais se reuniram no ponto turístico da capital baiana para cobrar responsabilização dos envolvidos e medidas mais efetivas contra maus-tratos a animais no país.
Quatro adolescentes de classe média alta são os principais suspeitos do caso. As investigações indicam que as ações do grupo podem envolver não apenas crueldade contra animais, mas também possíveis danos a propriedades e crimes contra a honra. Houve ainda uma tentativa de afogamento de um segundo cão, chamado Caramelo, que conseguiu escapar. A Polícia Civil de Santa Catarina apreendeu celulares e roupas de dois dos adolescentes suspeitos, que estavam nos Estados Unidos e chegaram ao Aeroporto Internacional de Florianópolis em 29 de janeiro. As investigações estão em andamento, e a polícia ouviu um adolescente, descartando qualquer desafio de rede social.
Juliana Grimaldi, fisioterapeuta e uma das organizadoras do protesto em Salvador, afirmou: “Nossa ideia sempre foi justiça, né? Que a gente entenda como sociedade que não é normal a crueldade, que a gente não pode normalizar e banalizar atos como esse. E havendo a punição, as pessoas vão repensar, vão analisar antes de cometer qualquer ato porque vão pensar: ‘eu vou ser punido por isso’”. Ela acrescentou: “Eu acredito muito na movimentação popular. Eu espero de fato que a justiça seja feita, que as pessoas que cometeram esse crime reparem os atos, sejam responsabilizadas pelo que fizeram. Espero que aqui em Salvador a gente consiga uma delegacia preparada para os maus-tratos de animais. Isso é muito importante. Os animais são vidas e precisam ser respeitados e cuidados”.
Natalia Ruf, veterinária e professora universitária que participou do ato em Salvador, comentou: “Quando a gente pensa nos maus-tratos contra os animais, não estamos diante apenas de um caso isolado. Estamos diante de uma sociedade que precisa repensar a educação dos adolescentes e das crianças, e os valores que estamos transmitindo”. Ela complementou: “Todo mundo aqui está pedindo justiça não só pelo Orelha, mas por todos os animais que sofreram ou sofrerão. Cada vida importa, são seres que sentem dor e medo. Estamos aqui dando voz a eles, em frente ao Farol da Barra”.
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