Desde sua transferência para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em janeiro de 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem recebido visitas regulares de aliados políticos e religiosos. Nessas ocasiões, ele compartilha preocupações pessoais e tenta manter influência na estratégia eleitoral para este ano.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpre pena em regime fechado desde novembro de 2025, após tentativa de remover a tornozeleira eletrônica durante prisão domiciliar. Relatos de ao menos seis visitantes nas últimas semanas indicam que o ex-mandatário enfrenta dificuldades para dormir, mesmo com medicamentos, relatando pesadelos frequentes e crises intensas de soluços que limitam refeições e conversas prolongadas.
Um dos principais receios expressos por Bolsonaro é a possibilidade de atentado contra seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Ele pediu a aliados, como o ex-secretário Nabhan Garcia, que o visitou no sábado de Carnaval, que transmitissem ao filho a recomendação de maior cautela na campanha.
Bolsonaro se emocionou ao abordar o tema, comparando-o ao episódio da facada que sofreu em 2018 durante a campanha presidencial.
O bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, que realiza visitas autorizadas pelo STF às terças e quintas, descreveu Bolsonaro como um homem “traumatizado”, que se sente injustiçado, impotente e preocupado com a própria segurança e a da família. O religioso destacou que o ex-presidente teme pela vida, inclusive após a cirurgia de dezembro passado, quando acreditou estar próximo da morte. Rodovalho afirmou ter conduzido orações e cantos para acalmá-lo, além de criticar as condições de detenção, argumentando que a idade e as comorbidades justificariam regime domiciliar.
Bolsonaro também reclama da limitação no acesso a informações políticas externas. Embora tenha permissão para assistir TV aberta por poucas horas diárias, ele se sente desconectado de movimentações importantes, como a troca de relator no inquérito do Banco Master. Aliados relatam que ele solicita atualizações constantes sobre o cenário eleitoral e a pré-campanha de Flávio, cuja candidatura ele ajudou a consolidar, convencendo setores do centrão e influenciando decisões como a de Tarcísio de Freitas (Republicanos) de disputar a reeleição em São Paulo.
Na rotina da prisão, Bolsonaro acorda cedo, toma banho, faz a barba, lê livros e pratica caminhadas à tarde, com descanso breve após o almoço. Michelle Bolsonaro envia marmitas, mas o ex-presidente come pouco por receio de agravar os soluços. Aliados notam desequilíbrio físico causado por medicamentos e náuseas frequentes.
Apesar das dificuldades, Bolsonaro continua envolvido indiretamente na articulação política, recebendo pré-candidatos em busca de apoio e orientando sobre palanques regionais. Visitantes dividem-se entre aqueles que prestam solidariedade pessoal e os que buscam bênçãos eleitorais.
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