Moraes revoga domiciliar de idosa do 8/1 e determina investigação de juiz

Ministro do STF anula benefício concedido por magistrado de Curitiba e manda ré voltar ao regime fechado no presídio médico
Por: Brado Jornal 11.mar.2026 às 08h40
Moraes revoga domiciliar de idosa do 8/1 e determina investigação de juiz
Arquivo Pessoal
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, revogou a prisão domiciliar da aposentada Sônia Teresinha Possa, de 68 anos, condenada por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. A decisão determinou o retorno imediato dela ao regime fechado no Complexo Médico Penal de Pinhais (PR).

Sônia, contadora aposentada, sofre de neoplasia maligna na pele, otite crônica, otorréia e otomastoidite. Em setembro de 2025, o juiz José Augusto Guterres, da Vara de Execuções Penais de Curitiba, concedeu o benefício com base em laudos médicos, impondo o uso de tornozeleira eletrônica. Ela cumpriu a medida em Guarapuava (PR), onde reside o filho, saindo apenas para consultas médicas.

A revogação ocorreu em 27 de janeiro de 2026, após parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) contrário ao benefício. A PGR argumentou que o tratamento é eventual e programado, podendo ser realizado com escolta a partir do presídio, sem prejuízo ao cumprimento da pena.

Moraes considerou que o juiz cometeu “clara usurpação de competência”, pois as execuções das penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro permanecem sob jurisdição exclusiva do STF, sem delegação para decisões autônomas sobre regime prisional. Ele intimou o magistrado a prestar esclarecimentos em 24 horas e encaminhou o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apuração de providências, incluindo o afastamento do juiz dos atos processuais delegados pela Corte.

A idosa foi presa novamente ao comparecer voluntariamente ao Departamento Penitenciário de Guarapuava para entregar uma resenha de livro, atividade de remição de pena. A defesa alega que o pedido de domiciliar havia sido feito meses antes ao STF sem resposta e que a execução penal é processo autônomo, competindo ao juízo local. O filho Renan Possa relatou abalo psicológico e interrupções no tratamento da mãe.

A condenação de Sônia transitou em julgado em abril de 2024, com pena de 14 anos em regime inicialmente fechado pelos crimes imputados aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Alexandre de Moraes pede para Fachin decidir relator de investigação sobre filme ‘Dark Horse’
Ministro encaminha pedido de apuração ao presidente do STF após manifestação da PGR
Lideranças indígenas do Baixo Tapajós ligadas ao PSOL protocolam representação no MPF contra Renan Santos
Pré-candidato à Presidência pelo partido Missão é acusado de "racismo e disseminação de desinformação" após declarações feitas em Santarém (PA)
Justiça determina que governo da Bahia garanta hemodiálise a paciente com 7% dos rins funcionando
Decisão concede tutela de urgência e dá prazo de 48 horas para transferência e inclusão em clínica especializada
Carregando..