Os advogados do banqueiro Daniel Vorcaro afirmaram, em 12 de março de 2026, que a Polícia Federal teria levado o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a decretar a prisão preventiva com base em equívoco.
De acordo com o criminalista Sérgio Leonardo, a ordem judicial fundamentou-se exclusivamente em elementos pretéritos, ocorridos antes da primeira detenção do empresário em novembro de 2025, sem apresentar risco atual ou contemporaneidade que justificasse a medida extrema.
“A decisão do ministro André é toda baseada em fatos pretéritos. Não há contemporaneidade”, declarou o defensor.O advogado destacou que as imputações citadas na determinação envolvem mensagens trocadas e supostos pagamentos realizados em período anterior àquela prisão inicial. “Tudo é antigo, tudo é antes da primeira prisão. Isso não pode, de acordo com a lei, sustentar uma prisão preventiva em março de 2026. Nenhuma imputação feita ao Daniel sobre aquelas mensagens e pagamentos é atual, e a gente tem muita esperança de que os ministros analisem isso”, enfatizou.
Na visão da defesa, a PF teria fornecido ao relator informações que induziram o magistrado a erro, resultando na decretação da custódia cautelar com referência a episódios datados, como uma mensagem relacionada ao jornalista Lauro Jardim, enviada no meio do ano passado.
Vorcaro foi recapturado na quarta-feira, 4 de março, em nova etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de invasão de dispositivos informáticos associados ao colapso do Banco Master.
As investigações apontam que o banqueiro teria coordenado uma rede estruturada para obter dados sigilosos de autoridades e monitorar indivíduos vistos como opositores. Relatos da PF indicam acessos ilegais a sistemas da própria corporação, do Ministério Público Federal e de bases internacionais, incluindo FBI e Interpol, com o objetivo de acompanhar procedimentos em curso.
Outro aspecto apurado refere-se à suposta formação de uma “milícia privada” composta por aliados do empresário, utilizada para intimidar jornalistas, ex-colaboradores e concorrentes do banco. Mensagens atribuídas a Vorcaro teriam revelado orientações para vigilância ou pressão sobre pessoas consideradas ameaças aos seus interesses, o que contribuiu para a fundamentação da nova prisão preventiva.
Diante do que consideram irregularidade na decretação da medida, os defensores aguardam o julgamento do habeas corpus ou pedido de revogação pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, confiando na reversão da decisão.
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