China bloqueia entregas da Boeing em retaliação às tarifas dos EUA

Decisão de Pequim afeta ações da fabricante americana e intensifica tensão na guerra comercial com Washington; suspensão inclui aeronaves e peças de empresas dos EUA
Por: Brado Jornal 15.abr.2025 às 09h58
China bloqueia entregas da Boeing em retaliação às tarifas dos EUA
Marcos Corrêa/Agência Brasil

Em mais um capítulo da escalada comercial entre China e Estados Unidos, o governo chinês determinou que suas companhias aéreas suspendam imediatamente a aceitação de novas entregas de aeronaves da fabricante americana Boeing. A informação foi divulgada pela agência Bloomberg, com base em fontes próximas às negociações.

Além disso, segundo a agência, Pequim ordenou que as empresas do setor aéreo interrompam quaisquer compras de equipamentos e peças aeronáuticas de origem americana — uma medida que sinaliza retaliação direta ao endurecimento tarifário promovido pelo governo de Donald Trump.

O impacto foi imediato em Wall Street: as ações da Boeing registraram queda antes mesmo da abertura oficial do pregão nesta terça-feira (15), refletindo o temor de investidores diante do aprofundamento das restrições no comércio bilateral.

Durante seu primeiro mandato, Trump havia poupado a Boeing das sanções mais duras, mas as vendas da empresa para o mercado chinês já vinham em declínio desde 2019. Em 2022, a expectativa era de que cerca de 25% das entregas internacionais da fabricante fossem destinadas à China. No ano seguinte, esse número despencou para apenas 9%.

O movimento de Pequim vem na esteira de um novo pacote tarifário anunciado pelos EUA no último dia 2 de abril. Após adotar uma tarifa generalizada de 10% sobre produtos estrangeiros — revertida dias depois após instabilidade nos mercados e pressão interna — Washington decidiu manter uma política mais dura contra a China, impondo uma tarifa total de 145% sobre produtos chineses. Em resposta, o governo chinês elevou seus impostos sobre produtos americanos para 125%.

Com a suspensão das entregas da Boeing e a paralisação na aquisição de peças, o setor de aviação se torna mais um campo de batalha na complexa disputa econômica entre as duas maiores potências do planeta. A medida não só afeta a gigante americana, como pode repercutir em toda a cadeia de fornecimento global do setor aeroespacial.



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