O regime iraniano prepara a execução de Erfan Soltani, um jovem de 26 anos apaixonado por moda e esportes que trabalhava na indústria do vestuário, marcada para esta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026. Preso em 8 de janeiro em sua residência em Karaj (ou Kurtis, conforme variações de grafia), Soltani foi acusado de "moharebeh" (inimizade contra Deus), crime que prevê pena capital no sistema jurídico iraniano.
De acordo com relatos da família e da ONG Hengaw Organization for Human Rights, o processo judicial foi conduzido de maneira sumária e sem garantias mínimas: não houve direito a advogado de defesa, acesso aos autos ou oportunidade real de contestação das acusações. A irmã de Soltani, que é advogada, tentou intervir legalmente para barrar a sentença, mas foi impedida de consultar documentos e os parentes receberam ameaças caso divulgassem informações publicamente.
As autoridades só informaram a família sobre a condenação e a data da execução no fim de semana anterior, permitindo um breve encontro de despedida que durou meros 10 minutos. Antes da prisão, Soltani havia recebido mensagens intimidatórias de agentes de segurança, mas continuou participando das manifestações contra o governo.
O caso é considerado por grupos como Iran Human Rights (IHRNGO) e National Union for Democracy in Iran (NUFD) como possivelmente o primeiro ligado diretamente aos protestos que eclodiram em 28 de dezembro de 2025, motivados por grave crise econômica, inflação e escassez de bens essenciais. As manifestações se espalharam de Teerã para cidades como Mashhad e outras províncias, com relatos de repressão violenta pelas forças de segurança.
Organizações internacionais de direitos humanos estimam pelo menos 648 mortes entre manifestantes (número da IHRNGO), com outras fontes apontando para mais de 2 mil óbitos no total, além de mais de 10 mil prisões. A mídia estatal iraniana confirma ao menos 121 baixas entre policiais, militares e agentes judiciais. O líder supremo Ali Khamenei afirmou que o regime não recuará, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian convocou apoiadores a conterem os atos antigovernamentais.
O governo iraniano impôs bloqueio quase total da internet (99%, segundo NetBlocks), afetando até serviços como Starlink, para dificultar a organização e a divulgação das protestos. Entidades de direitos humanos alertam que o anúncio de execuções pode servir como instrumento de intimidação, como ocorreu em casos anteriores, onde sentenças capitais foram usadas para forçar confissões ou dissuadir manifestações.
O Itamaraty brasileiro acompanha com preocupação os desdobramentos no Irã, e figuras internacionais, incluindo o presidente Donald Trump, têm comentado a situação, com ameaças de intervenção caso a repressão se intensifique. Até o momento, não há confirmação oficial iraniana sobre a execução de Soltani, mas familiares e ativistas temem que ela ocorra conforme programado.
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