Grupos islamitas sequestram mais de 160 cristãos em ataques a igrejas na Nigéria

Assaltantes armados invadem duas igrejas no estado de Kaduna e raptam fiéis durante o culto dominical
Por: Brado Jornal 19.jan.2026 às 19h59 - Atualizado: 19.jan.2026 às 22h14
Grupos islamitas sequestram mais de 160 cristãos em ataques a igrejas na Nigéria
ACN
Bandos armados islamitas sequestraram pelo menos 163 cristãos durante ataques coordenados a duas igrejas no estado de Kaduna, na Nigéria, neste domingo (18). Os agressores bloquearam as saídas dos templos, forçando os fiéis a irem para áreas de mata próximas, em um incidente que destaca a violência persistente contra comunidades cristãs no país africano.

De acordo com relatos da polícia local, os ataques aconteceram por volta das 11h25 em Kurmin Wali, uma comunidade florestal na ala Afogo, no distrito de Kajuru. Os criminosos, armados com armas sofisticadas, invadiram uma igreja da Evangelical Church Winning All (ECWA) e outra da denominação Cherubim and Seraphim, além de uma igreja católica, segundo testemunhas e autoridades religiosas. Inicialmente, 172 pessoas foram levadas, mas nove conseguiram escapar, deixando 163 reféns.

O reverendo John Hayab, presidente da Christian Association of Nigeria (CAN) na região norte, confirmou os números à imprensa internacional, baseando-se em informações de anciãos das igrejas afetadas. “Foi confirmado que 172 pessoas foram sequestradas, incluindo homens, mulheres e crianças. Com nove indivíduos tendo escapado, 163 pessoas permanecem em cativeiro”, afirmou Hayab. A polícia de Kaduna ainda trabalha para verificar o número exato de vítimas e investiga a sofisticação das armas usadas pelos atacantes.

O incidente ocorre em meio a uma onda de violência contra cristãos na Nigéria, especialmente no norte de maioria muçulmana. Em novembro de 2025, mais de 300 alunos e professores foram sequestrados da St. Mary's Catholic School em Papiri, pela milícia islamista Boko Haram. Grupos como o Partido Democrático Popular (PDP) criticaram o governo por falhas graves na segurança, afirmando que os recorrentes ataques expõem a incapacidade de proteger cidadãos vulneráveis.

No início deste mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que novos ataques poderiam levar a intervenções se as matanças de cristãos continuarem, destacando a atenção internacional ao problema. A violência em Kaduna, uma área de tensão religiosa e étnica, tem sido atribuída a milícias fulani e grupos jihadistas como o Boko Haram e o Islamic State West Africa Province (ISWAP), que visam comunidades cristãs em retaliações ou para expandir influência territorial.

Autoridades nigerianas, incluindo o governo de Kaduna e a polícia federal, enfrentam críticas por divergências nos relatos iniciais sobre o número de vítimas. Enquanto a CAN e testemunhas locais falam em mais de 160 sequestrados, a polícia descreve o ataque como envolvendo “dezenas” e ainda confirma detalhes. A ONU também registrou mais de 100 abduções em relatório de segurança visto pela imprensa.

A comunidade internacional e organizações de direitos humanos, como a Amnesty International, têm cobrado ações mais firmes do governo nigeriano para combater o terrorismo e proteger minorias religiosas. O incidente reacende debates sobre a necessidade de intervenção externa para deter o que alguns classificam como genocídio contra cristãos na Nigéria, o país com a maior população cristã da África. Até o momento, não há informações sobre resgates ou negociações para a libertação dos reféns.


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