Vorcaro menciona repasse de ao menos R$ 20 milhões à empresa ligada a Toffoli em relatório da PF

Mensagens trocadas com cunhado citam fundo Arleen como intermediário de pagamentos à Maridt, sócia do resort Tayayá vendido em 2021; ministro confirma participação societária familiar, nega recebimento direto de Vorcaro ou Zettel e afirma que operações foram declaradas à Receita
Por: Brado Jornal 12.fev.2026 às 20h29
Vorcaro menciona repasse de ao menos R$ 20 milhões à empresa ligada a Toffoli em relatório da PF
Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress
Relatório da Polícia Federal (PF), enviado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, traz menções a pagamentos mínimos de R$ 20 milhões direcionados à empresa Maridt, da qual o ministro Dias Toffoli é sócio. As informações surgem de conversas extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seu cunhado Fabiano Zettel.

As mensagens indicam que os recursos seriam repassados por meio do fundo Arleen, que adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná, em 27 de setembro de 2021. Um contrato adicional, assinado em 2024, previa novos pagamentos da Arleen à Maridt, fato que chamou atenção dos investigadores pela discrepância temporal em relação à venda original.

Toffoli confirmou, em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (12 de fevereiro de 2026), integrar o quadro societário da Maridt, empresa familiar organizada como sociedade anônima de capital fechado.
Ele enfatizou que nunca recebeu valores diretamente de Vorcaro ou Zettel, que todas as transações foram legais, rastreáveis e declaradas à Receita Federal. Segundo o gabinete, a Maridt deixou de fazer parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro em fevereiro de 2025, após duas operações sucessivas de alienação de cotas.
O ministro afirmou desconhecer o gestor do fundo Arleen e negou qualquer relação de amizade íntima com o banqueiro.

O documento da PF não contém pedido formal de suspeição contra Toffoli na ação envolvendo o Banco Master, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliar eventual impedimento. O caso ocorre em meio a pressões para que o ministro deixe a relatoria do processo, distribuído a ele em novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava mais o empreendimento.


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