Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, coordenador de segurança e vigilância do banqueiro Daniel Vorcaro, tentou se suicidar nesta quarta-feira na sede da Polícia Federal em Minas Gerais, onde estava preso desde a manhã.
Agentes da PF mineira o reanimaram após cerca de 30 minutos de esforço e o encaminharam para hospital. A corporação comunicou imediatamente o episódio ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, e enviará as imagens que registraram o ocorrido.
Mourão, apelidado de “Sicário”, foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje com mandados de prisão e busca em São Paulo e Minas Gerais. Ele é apontado nas investigações como responsável pelo núcleo de vigilância e intimidação da organização criminosa liderada por Vorcaro, controlador do Banco Master.
Mensagens encontradas no celular do banqueiro mostram que Vorcaro instruiu Mourão e outros integrantes do grupo a “quebrar os dentes” e “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.
A operação investiga crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos praticados por organização criminosa. Além de Mourão e de Vorcaro, preso novamente nesta quarta-feira, foram cumpridos mandados contra o cunhado do banqueiro, o pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, e dois servidores concursados do Banco Central. A Justiça determinou o afastamento de cargos públicos e o bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões.
Daniel Vorcaro, de 42 anos, havia sido preso preventivamente em novembro de 2025 na primeira fase da operação e solto dias depois com tornozeleira eletrônica. Em janeiro de 2026, na segunda fase, a PF prendeu temporariamente Zettel no Aeroporto de Guarulhos quando ele tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. O Banco Central decretou em novembro de 2025 a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras empresas do grupo por irregularidades na gestão, criação de carteiras de crédito falsas e rombo bilionário.
A terceira fase, autorizada por André Mendonça após assumir a relatoria, que antes era do ministro Dias Toffoli, mira a continuidade das fraudes e a ocultação de mais de R$ 2,2 bilhões mesmo após a soltura de Vorcaro. A Polícia Federal apura que o grupo mantinha uma estrutura de intimidação contra adversários, incluindo a coleta de informações sobre pessoas consideradas inimigas do Banco Master. Mourão integrava esse núcleo de vigilância.
O banqueiro permanece preso e foi transferido para penitenciária estadual por determinação de Mendonça. A investigação conta com apoio do Banco Central e avança sobre a atuação da suposta organização criminosa.
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