O empresário e pastor Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se apresentou à Polícia Federal na manhã desta quarta-feira e foi preso. Zettel é um dos alvos de mandados de prisão preventiva determinados pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
A ação faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje com o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Além de Zettel e Vorcaro, a operação afastou dois servidores concursados do Banco Central: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que atuavam em departamentos envolvidos em processos relacionados ao Banco Master.
A defesa de Fabiano Zettel informou, por meio de nota, que o cliente se apresentou às autoridades e está à disposição para os esclarecimentos necessários, embora ainda não tenha tido acesso ao objeto das investigações.A Polícia Federal informou que a operação investiga a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por organização criminosa. As apurações contaram com apoio do Banco Central. Foram determinadas ainda ordens de afastamento de cargos públicos e o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões para interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado.
Fabiano Zettel já havia sido preso temporariamente em 14 de janeiro de 2026, durante a segunda fase da mesma operação, quando tentava embarcar em um voo para os Emirados Árabes Unidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A prisão, de apenas um dia, teve como objetivo impedir sua saída do país e permitir a apreensão de seu celular.
Daniel Vorcaro, de 42 anos, controlador do Banco Master desde 2017, havia sido preso preventivamente em novembro de 2025, na primeira fase da operação, também ao tentar embarcar para o exterior. Ele foi solto dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras quatro empresas do conglomerado, citando crise de liquidez, violações de normas do Sistema Financeiro Nacional e comprometimento da situação financeira da instituição.
A investigação apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco, incluindo a criação de carteiras de crédito falsas e operações que levaram ao rombo bilionário. O modelo de negócio do Master baseava-se em captação de recursos via CDBs com remuneração acima do mercado, garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A relatoria do caso no STF era inicialmente do ministro Dias Toffoli, que se declarou impedido em fevereiro de 2026. O caso passou então para André Mendonça. No final de fevereiro, o mesmo ministro dispensou Zettel de comparecer à CPI do Crime Organizado no Senado, acolhendo argumento da defesa sobre o direito de não se autoincriminar.
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