A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, uma operação para apurar o assassinato do indígena pataxó Vítor Braga Braz, de 53 anos. A ação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Salvador, Teixeira de Freitas, Itamaraju e Medeiros Neto, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar da Bahia e da Força Nacional.
Durante os cumprimentos, um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma. Os elementos coletados até agora apontam para crimes graves, como homicídio consumado, tentativa de homicídio e possível formação de organização criminosa armada.
O crime aconteceu em 10 de março de 2025, nas imediações da Aldeia Terra Vista, dentro da Terra Indígena Barra Velha, no município de Prado. Vítor Braga Braz foi morto a tiros e um indígena de 25 anos ficou ferido no ataque. Dois adolescentes que estavam no local desapareceram logo após o incidente, mas foram localizados no dia seguinte e passam bem.
A dinâmica do crime indica uma emboscada. Os autores ocupavam posição privilegiada para observar a aproximação das vítimas e houve intensa troca de tiros. Cartuchos de calibre 7,62, compatíveis com fuzil, foram encontrados no bolso da vítima.
O Conselho de Caciques Pataxó (Conpaca) atribuiu o ataque a pistoleiros contratados por fazendeiros. As investigações confirmam que o episódio está diretamente ligado à disputa por terras entre indígenas e produtores rurais na região, que vive clima de alta tensão devido à falta de demarcação definitiva.
A Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal abrange 52,7 mil hectares e se estende pelos municípios de Itabela, Itamaraju, Prado e Porto Seguro. A morosidade no processo de demarcação tem gerado conflitos frequentes, com relatos de agressões diárias contra o povo pataxó.
Após o ataque, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia reforçou o policiamento ostensivo e ações de inteligência na Aldeia Terra Vista por meio da Força Integrada de Combate a Crimes Comuns Envolvendo Povos e Comunidades Tradicionais.
O caso foi transferido para a Justiça Federal por envolver direitos territoriais indígenas. A Polícia Federal agora busca identificar todos os responsáveis e reunir provas para responsabilização penal.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) repudiou a violência e destacou que o assassinato ocorreu pouco antes de uma audiência pública em Brasília sobre a demarcação das terras Tupinambá de Olivença, Tupinambá de Belmonte e Barra Velha do Monte Pascoal. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também cobrou investigação rigorosa e punição dos envolvidos.
Em outro episódio recente na região, a casa do cacique da Aldeia Monte Dourado, no território Comuxatiba, foi incendiada, reforçando o quadro de insegurança enfrentado pelas comunidades indígenas.
A operação desta quarta representa um avanço importante nas apurações sobre o homicídio de Vítor Braga Braz, cujo corpo foi sepultado na Aldeia Terra Vista. As autoridades seguem analisando o material apreendido para aprofundar as investigações sobre o conflito fundiário que assola o extremo sul da Bahia.
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