A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual Márcio Canella, do União Brasil, e o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil. A ação faz parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, que busca desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro. Segundo as investigações, o grupo teria envolvimento de agentes públicos e articulações político-institucionais.
Canella, segundo deputado estadual mais votado e ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso em sua residência, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. Além dele e de Amim, foram presos quatro inspetores da Polícia Civil: Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou as diligências envolvendo agentes da ativa.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e dão continuidade à sexta fase da operação, realizada em julho. Na ocasião, Canella e Amim foram alvos de buscas durante as investigações sobre 96 postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio. Canella chegou a ser preso naquela etapa após a localização de um fuzil em seu carro. O caso motivou a sétima fase da operação, em setembro, quando o vereador Jorge Canella, também do União Brasil, foi detido por posse irregular de armas de fogo de uso restrito. Jorge não tem parentesco com Márcio e adotou o sobrenome de seu padrinho.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que o esquema teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos. A Justiça autorizou o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede investigada. Desse total, 96 seriam postos de combustíveis utilizados, segundo as apurações, para ocultar recursos de origem criminosa e dar aparência legal às operações financeiras.
Os investigados poderão responder, conforme o grau de envolvimento de cada um, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comercialização ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outras possíveis infrações identificadas ao longo das investigações. A operação também está relacionada ao contexto da decisão do STF no âmbito da ADPF 635/RJ, que determinou à Polícia Federal a apuração de possíveis vínculos entre agentes públicos e facções criminosas.
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025, com foco inicial na suspeita de vazamento de informações sigilosas sobre ações contra o Comando Vermelho, envolvendo nomes como o então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. As fases seguintes ampliaram o escopo das investigações, que passaram a abranger a rede de postos de combustíveis e possíveis conexões com agentes públicos e políticos.
A defesa de Márcio Canella informou que não se pronunciará até ter acesso aos autos do processo. Até o momento, não houve manifestações oficiais dos demais investigados.
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