Maioria do STF confirma decisão de suspender decretos de Bolsonaro sobre armas

A decisão foi provisória para impedir o armamento da população no período eleitoral
Por: Brado Jornal 21.set.2022 às 06h30
Maioria do STF confirma decisão de suspender decretos de Bolsonaro sobre armas

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira, 20, para confirmar a decisão do ministro Edson Fachin que suspendeu trechos de decretos editados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para flexibilizar o acesso da população civil a armas e munições.


O julgamento está em curso no plenário virtual. A plataforma permite que cada ministro registre seu voto no sistema online sem necessidade de reunião do colegiado. A votação termina hoje


Até o momento, Fachin foi acompanhado pelos ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber e Cármen Lúcia. A decisão foi provisória para impedir o armamento da população no período eleitoral. O STF pode revisitar o tema depois das eleições.


Fachin é relator de ações movidas pelo PSB e pelo PT para derrubar os decretos. O ministro decidiu suspender os efeitos do ato administrativo por ver risco de aumento da violência política com o início da campanha. A decisão estabeleceu que a posse de armas de fogo só pode ser autorizada para quem demonstrar necessidade concreta, por razões profissionais ou pessoais, e que a compra de armas de uso restrito depende do "interesse da própria segurança pública ou da defesa nacional".


Em um voto de uma linha na última sexta, Fachin se limitou a defender a confirmação de sua decisão monocrática. "Proponho o referendo da medida cautelar", escreveu. Os demais ministros que o acompanharam não apresentaram voto escrito.


Por enquanto, só o ministro Kassio Nunes Marques divergiu. Ele disse que os cidadãos devem ter o "direito de se defender de modo adequado". "Não vejo como retirar do cidadão a capacidade de autodefesa consistente em lhe garantir a aquisição e posse de arma de fogo para esse fim", argumentou.


Entenda a ação


Os partidos de oposição afirmam que os decretos de Bolsonaro são inconstitucionais e representam "retrocesso" em direitos fundamentais, na medida em que facilitam de forma "desmedida" o acesso a armas e munições pelos cidadãos comuns. Argumentam ainda que, embora pretendam disciplinar o Estatuto do Desarmamento, os decretos ferem suas diretrizes e violam o princípio da separação dos Poderes e o regime democrático, uma vez que o Planalto teria assumido a função do Legislativo ao decidir sobre política pública envolvendo porte e posse de armas de fogo.


Em manifestação enviada ao Supremo, o Planalto explicou que as mudanças foram pensadas para "desburocratizar" procedimentos. O governo ainda argumentou que, ao sair vencedor das últimas eleições, Bolsonaro ganhou "legitimidade popular" para "concretizar, nos limites da lei, promessas eleitorais". O Planalto disse também que a "insuficiência do aparelho estatal para blindar o cidadão, por 24 horas, em todo o território nacional", justifica mecanismos de legítima defesa.


Os processos já haviam sido colocados em julgamento no plenário virtual do STF em março do ano passado. A votação foi suspensa em três ocasiões diferentes por pedidos de vista (mais tempo para análise) - o mais recente feito por Nunes Marques. Sem previsão para a retomada do julgamento, Fachin apontou "perigo na demora" e decidiu despachar monocraticamente, submetendo na sequência a decisão liminar aos colegas.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
STF inclui na pauta o julgamento da Resolução do CFM que proíbe a assistolia fetal
Suspensão liminar concedida por Alexandre de Moraes em 2024 será analisada pelo plenário do tribunal; norma veda o procedimento em gestações acima de 22 semanas
CPI rejeita convocação de ACM Neto no Senado
Comissão do Crime Organizado aprova retirada de requerimento do PT; senador citava repasses de R$ 3,6 milhões do Banco Master e Reag para empresa de consultoria
PT endurece contra Flávio Bolsonaro em resolução
Partido associa senador a rachadinhas e legado bolsonarista, destaca conquistas econômicas e mira maioria no Congresso para 2026
STF condena deputados Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa por corrupção passiva
Decisão da Primeira Turma rejeita organização criminosa, mas confirma propina em troca de emendas para saúde em São José de Ribamar
Republicanos ganha filiação do senador Angelo Coronel
Senador baiano e deputado federal Diego Coronel deixam PSD e entram no partido; Angelo Coronel Filho filia-se em breve; apoio a ACM Neto no governo da Bahia
Bolsonaro tem novo pedido de prisão domiciliar por agravamento de pneumonia
Advogados alegam risco progressivo à vida no regime atual de custódia; ex-presidente apresenta melhora parcial após antibióticos, mas segue internado sem previsão de alta
Carregando..