Bolsonaro tem novo pedido de prisão domiciliar por agravamento de pneumonia

Advogados alegam risco progressivo à vida no regime atual de custódia; ex-presidente apresenta melhora parcial após antibióticos, mas segue internado sem previsão de alta
Por: Brado Redação 17.mar.2026 às 16h44
Bolsonaro tem novo pedido de prisão domiciliar por agravamento de pneumonia
Foto: Ton Molina/STF

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou nesta terça-feira (17 de março de 2026) mais um pedido de prisão domiciliar humanitária dirigido ao Supremo Tribunal Federal. O documento, encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, reforça a necessidade urgente da medida em razão da gravidade do quadro de saúde do político, internado desde 13 de março no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar pneumonia bacteriana bilateral.

Os advogados destacam que a evolução da doença foi rápida e severa, convertendo alertas médicos anteriores em uma situação real de alto risco. Eles sustentam que o local de custódia atual, mesmo dispondo de profissionais de saúde em regime de plantão, não oferece vigilância ininterrupta nem capacidade de resposta imediata diante de eventual piora súbita, o que aumenta consideravelmente os perigos para a integridade física do paciente.

De acordo com a peça, a prisão domiciliar, nesse cenário, não representaria favorecimento, mas sim condição indispensável para garantir cuidados médicos apropriados e contínuos, evitando exposição desnecessária a complicações graves.

O boletim médico mais recente, divulgado na segunda-feira (16 de março), registra avanço positivo nas últimas 24 horas, com recuperação da função renal e diminuição parcial dos indicadores inflamatórios. Os médicos atribuem essa melhora à boa resposta ao tratamento com antibióticos intravenosos. Ainda assim, o ex-presidente permanece sob cuidados intensivos, sem data definida para receber alta hospitalar.

O episódio começou na madrugada de sexta-feira (13 de março), por volta das 2h, no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Uma equipe do Samu, que mantém plantão no local, realizou o primeiro socorro. O médico Brasil Caiado avaliou o paciente e identificou sinais de pneumonia. A transferência para o hospital ocorreu às 8h50, seguida de exames detalhados, incluindo tomografia de tórax e dos seios paranasais, além de análises laboratoriais e painel viral para descartar outras infecções.

A tomografia confirmou broncopneumonia bilateral, com maior comprometimento no pulmão esquerdo. O tratamento com antibióticos intravenosos foi iniciado logo em seguida, utilizando dois medicamentos de forma preventiva e terapêutica. Após o início da medicação, Bolsonaro relatou alívio parcial, embora ainda apresentasse enjoo, dor de cabeça e dores musculares características de infecção sistêmica.

Desde o atentado sofrido em 2018, durante a campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro acumula 14 cirurgias, das quais dez estão relacionadas às lesões abdominais e a complicações decorrentes de intervenções anteriores. Ele enfrenta soluço refratário crônico, condição que favorece refluxo gastroesofágico e possível aspiração de conteúdo para as vias aéreas — fator apontado como provável desencadeador do atual quadro de broncoaspiração.

As cirurgias mais recentes aconteceram em dezembro de 2025: no dia 25, foi feita herniorrafia inguinal bilateral para correção de hérnias na região da virilha; nos dias 27 e 29, realizaram-se bloqueios nos nervos frênicos direito e esquerdo, com o objetivo de diminuir a frequência dos episódios de soluço persistente.

Essa é a terceira pneumonia enfrentada pelo ex-presidente, sendo a atual considerada a mais preocupante até o momento pelos médicos que o acompanham.



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