Senador quer abrir CPI para investigar Alexandre de Moraes por condução de inquéritos

O objetivo da CPI é examinar se houve falta de transparência, violações do sistema acusatório, prorrogações indevidas e outras possíveis irregularidades nas ações conduzidas pelo ministro
Por: Brado Jornal 17.set.2024 às 09h45
Senador quer abrir CPI para investigar Alexandre de Moraes por condução de inquéritos
Marcelo Camargo/Agência Brasil

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) iniciou nesta segunda-feira (16) a coleta de assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar possíveis irregularidades na condução dos inquéritos das fake news e das milícias digitais pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Moraes é o relator das investigações na Suprema Corte.

De acordo com Vieira, o objetivo da CPI é examinar se houve falta de transparência, violações do sistema acusatório, prorrogações indevidas e outras possíveis irregularidades nas ações conduzidas pelo ministro. “Não estamos buscando revisar o mérito das decisões judiciais proferidas pelo ministro, mas sim garantir que o processo seja conduzido com total transparência e de acordo com os princípios constitucionais”, afirmou o senador.

Atualmente, o Congresso está em recesso devido às eleições municipais, o que pode atrasar a tramitação da CPI. A previsão é de que a comissão só ganhe celeridade após o primeiro turno das eleições, marcado para 6 de outubro.

Vieira criticou a falta de transparência nas decisões do ministro Moraes e destacou que, desde a criação do inquérito das Fake News em março de 2019, medidas como a suspensão de perfis nas redes sociais e a prorrogação indefinida das investigações teriam sido adotadas, o que considera incompatível com os princípios constitucionais. Ele também expressou preocupação com a concentração de poderes e a ausência de divulgação integral dos fundamentos das decisões judiciais, o que, segundo ele, enfraquece a segurança jurídica.

O inquérito das milícias digitais, aberto em julho de 2021 por Moraes, já foi prorrogado 11 vezes, com a última prorrogação ocorrendo em julho deste ano. Essa investigação visa descobrir uma possível organização criminosa atuando digitalmente contra a democracia, com alvos incluindo diversas autoridades e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Já o inquérito das fake news foi criado em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, e investiga notícias falsas publicadas contra ministros da Suprema Corte e seus familiares.

Para que a CPI seja criada, é necessário que o pedido de Vieira conte com o apoio de pelo menos 27 senadores. Após obter as assinaturas necessárias, o requerimento será protocolado na Mesa do Senado e passará por uma série de avaliações e trâmites antes de sua efetiva criação.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
PF manda ouvir Galípolo, Campos Neto e André Esteves no caso Master
Intimações de 3 de agosto pedem depoimento como testemunhas sobre a fiscalização do banco de Daniel Vorcaro; defesa de Campos Neto diz que ainda não foi notificada
Flávio Dino manda Andrei Rodrigues voltar ao comando da Polícia Federal
Ministro do STF reverte o afastamento determinado por André Mendonça e diz que decisão em causa própria não pode paralisar o trabalho policial
Fachin suspende afastamento e reintegração de Andrei Rodrigues na PF
Presidente do STF anula, por ora, a liminar de André Mendonça e a ordem de Flávio Dino para interromper a guerra de decisões sobre o comando da polícia
Ministros do STF veem Fachin sem urgência diante da crise
Guerra de liminares entre André Mendonça e Flávio Dino sobre Andrei Rodrigues amplia o racha; presidente da Corte cancela sessão e pede cautela
Roma encosta em Wagner na disputa ao Senado na Bahia
João Roma sobe dois pontos e fica tecnicamente empatado com Jaques Wagner; Rui Costa amplia a liderança
Carlinhos Sobral é alvo de investigação sobre uso eleitoral do Fundeb em Coronel João Sá; político nega
Denúncia aponta 321 nomes na folha da Educação e R$ 14,1 milhões pagos a empresa terceirizada; total passa de R$ 18 milhões. Ex-prefeito diz que não assinou pagamentos e chama reportagem de ataque eleitoral.
Carregando..