Manuela d’Ávila critica dificuldades da esquerda nas ruas: "É realidade"

Ex-deputada aponta influência das redes sociais e cogita candidatura ao Senado em 2026
Por: Brado Jornal 04.abr.2025 às 08h40
Manuela d’Ávila critica dificuldades da esquerda nas ruas:
Reprodução/Instagram
A ex-deputada federal Manuela d’Ávila (sem partido) afirmou que a esquerda enfrenta dificuldades para mobilizar seu campo político nas ruas. Segundo ela, parte desse cenário se deve à migração do debate público para o ambiente digital, onde os algoritmos favorecem narrativas mais alinhadas à extrema direita.  

“As redes são o principal espaço de debate social e não são intermediadas de forma transparente e neutra, mas sim por algoritmos que reproduzem conceitos mais próximos da extrema direita, que apresenta soluções mentirosas, mas simples”, declarou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (4).  

A declaração ocorre dias após um ato contra a anistia dos presos de 8 de janeiro, convocado pelo deputado Guilherme Boulos (Psol-SP), que reuniu cerca de 6.000 pessoas em São Paulo.  

Na entrevista, Manuela destacou que a direita conseguiu criar, em torno de Jair Bolsonaro (PL), uma imagem de proximidade com a população.  

“Mesmo que ele seja acusado de roubar joias do patrimônio público e vender, ele não aparece ao lado de um garçom, servindo vinho tinto e filé. Isso passa a ideia de maior proximidade e identidade”, avaliou.  

Manuela d’Ávila deixou o PCdoB após 25 anos de militância, alegando que a federação do partido com o PT comprometeu sua autonomia.  

“O PT, enquanto um partido muito grande, tiraria a autonomia do PCdoB, que é menor. A frente ampla é imprescindível, mas um partido de esquerda deve cumprir o papel de ser a esquerda dentro disso. Estando federado com o PT, que tem a responsabilidade de harmonizar essa frente, essa capacidade de apresentar ideias fica limitada”, explicou.  

Sobre seu destino partidário, afirmou ter recebido convites, mas que não pretende se filiar apenas para concorrer em 2026. “Partido para mim é uma coisa séria, não é uma roupa que eu visto só para disputar uma eleição”, pontuou.  

Sem disputar cargos nas últimas eleições, a ex-deputada não descarta uma nova candidatura. “Pode ser que exista a possibilidade de eu disputar, porque eu não tenho nenhum impedimento pessoal”, disse. Segundo Manuela, seu nome aparece bem posicionado em pesquisas para o Senado pelo Rio Grande do Sul, o que reforça a hipótese de um retorno à disputa eleitoral.


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