Chiquinho Brazão deixa presídio e cumpre prisão domiciliar no Rio

Deputado é réu por suspeita de mandar matar Marielle Franco; Moraes alegou razões de saúde para soltura
Por: Brado Jornal 14.abr.2025 às 09h37
Chiquinho Brazão deixa presídio e cumpre prisão domiciliar no Rio
Reprodução/Agencia Brasil

O deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), réu por suspeita de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), deixou no sábado (12) a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS) e já está em sua residência na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. 

A soltura foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atendeu a um pedido da defesa baseado no estado de saúde do parlamentar. Moraes converteu a prisão preventiva em domiciliar por “razões humanitárias”, após a apresentação de laudos médicos que indicam risco elevado de morte súbita devido a múltiplas comorbidades.


Restrição sob vigilância

Mesmo em casa, Brazão está submetido a medidas cautelares. Entre as determinações judiciais, o deputado deve usar tornozeleira eletrônica e está proibido de:

  • utilizar redes sociais;
  • se comunicar com outros envolvidos no caso;
  • conceder entrevistas à imprensa;
  • receber visitas, exceto de familiares e advogados.


Ele também precisará de autorização judicial para sair de casa por motivos médicos, exceto em emergências, que deverão ser justificadas em até 48 horas.


Condições médicas motivaram decisão

O pedido de conversão da prisão foi apresentado em 2 de abril. Os advogados alegaram que o deputado sofre de sérios problemas cardiovasculares e passou por cirurgia para a instalação de stents, após exames apontarem obstruções em duas artérias coronarianas. O relatório médico anexado ao processo descreve um “alto risco cardiovascular com possibilidade elevada de morte súbita”.

Apesar da liberação, a decisão de Moraes contrariou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, afirmou que o atendimento médico era plenamente garantido no sistema prisional e defendeu a manutenção da prisão preventiva.


Caso Marielle e inércia no Congresso

Chiquinho Brazão foi preso em março de 2024, ao lado de seu irmão, Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), após serem delatados pelo ex-policial militar Ronnie Lessa, executor confesso do assassinato de Marielle Franco. A PGR denunciou os irmãos como mandantes do crime.

Mesmo presos, ambos mantêm seus cargos: o gabinete de Chiquinho na Câmara continua funcionando com mais de 20 assessores ativos, e o processo de cassação do parlamentar segue parado na Comissão de Ética. Ele segue recebendo salário normalmente.

Também denunciado no caso e preso preventivamente há mais de um ano, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, delegado Rivaldo Barbosa, ainda não conseguiu o mesmo benefício. Sua defesa também pediu liberdade, mas a PGR foi contra a soltura.

Na última quinta-feira (10.abr), Moraes intimou defesa e acusação a apresentarem as alegações finais do processo. O prazo é de 30 dias para cada parte. Após isso, o ministro relator analisará os argumentos e liberará o caso para julgamento no plenário do STF.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Jaques Wagner nega acusações e diz que fica na liderança
Senador petista afirma que valores em dólar são de diárias e descarta benefícios de Augusto Lima
Ministros aguardam que Jaques Wagner deixe a liderança do governo
Lula ainda não definiu o futuro do senador petista no cargo após operação da PF
Gleisi Hoffmann diz que Jaques Wagner deve ser punido se irregularidades forem comprovadas
Presidenta nacional do PT cobra apuração rigorosa, mas defende que senador tem direito à ampla defesa
Polícia Federal cumpre mandados de busca no Instituto Terra Firme na 9ª fase da Compliance Zero
Operação mira suposto esquema bilionário ligado ao Banco Master; buscas atingem sede da entidade no Corredor da Vitória, em Salvador
Nora de Jaques Wagner teria recebido apartamento de R$ 2,5 milhões como propina de Daniel Vorcaro
Investigação aponta vínculo entre familiar do senador petista e pagamentos do Banco Master
Milhares de usuários da Vivo em Salvador ficam sem internet móvel e sem ligação
Até o momento, a Vivo não emitiu nenhum comunicado oficial sobre a falha nem informou previsão para a normalização dos serviços.
Carregando..