Carla Zambelli é incluída na lista vermelha da Interpol por determinação de Alexandre de Moraes

Deputada federal, condenada pelo STF, é considerada foragida internacional e pode ser detida no exterior após deixar o Brasil
Por: Brado Jornal 06.jun.2025 às 11h57 - Atualizado: 06.jun.2025 às 11h59
Carla Zambelli é incluída na lista vermelha da Interpol por determinação de Alexandre de Moraes
Foto: Reprodução

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi incluída na lista de difusão vermelha da Interpol nesta quinta-feira (5.jun.2025), por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Com a medida, Zambelli passa a ser considerada foragida internacional, podendo ser presa em qualquer país integrante da organização caso seja localizada. A decisão ocorre após a parlamentar anunciar que deixou o Brasil, em meio a uma condenação de 10 anos de prisão por tentativa de invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para emitir mandados de prisão falsos.

Condenação e fuga

A inclusão na lista da Interpol foi solicitada por Moraes após a Procuradoria Geral da República (PGR) alertar o STF sobre a saída de Zambelli do país. O ministro justificou a prisão preventiva apontando que a viagem da deputada à Europa teria o objetivo de escapar da aplicação da lei penal. “A conduta demonstra a intenção clara de se furtar à justiça”, afirmou Moraes em sua decisão. Além da ordem de prisão, o magistrado determinou o bloqueio de passaportes, contas bancárias, investimentos, imóveis, veículos e perfis nas redes sociais de Zambelli.

Processo da Interpol

A difusão vermelha da Interpol é emitida a pedido de um juiz quando há suspeita de que o procurado deixou o país, informando às polícias de nações membros sobre a situação. No caso de Zambelli, a solicitação de Moraes está em análise na Polícia Federal, que verifica a documentação antes de enviá-la ao Escritório Central da Interpol, subordinado à Diretoria de Cooperação Internacional. Após essa etapa, os documentos seguem para a sede da organização, em Lyon, França, onde passam por uma avaliação final. O processo, que inclui conferência de formalidades e traduções, pode levar dias, e a Interpol pode solicitar informações adicionais, se necessário.

Outros casos e extradição

Moraes já solicitou a inclusão de outros brasileiros na lista vermelha da Interpol, como o jornalista Allan dos Santos e o blogueiro Oswaldo Eustáquio. No caso de Allan, a Interpol rejeitou o pedido por considerar insuficientes os indícios de crime, e os Estados Unidos, onde ele reside desde 2021, não atenderam à solicitação de extradição. Eustáquio, que está na Espanha, também teve o pedido de extradição negado por “motivação política”. Diferentemente desses casos, Zambelli já tem uma condenação, mas a prisão preventiva não está ligada ao cumprimento da pena, pois ainda cabe recurso. A detenção dependerá da decisão do país onde ela for localizada.

Sem advogado e próximos passos

Atualmente, Zambelli está sem representação legal, após seu advogado renunciar ao caso logo após o anúncio de sua saída do Brasil. A inclusão na lista vermelha da Interpol reforça a pressão para que a deputada seja localizada e, eventualmente, extraditada, caso o país onde ela esteja aceite o pedido brasileiro. A situação expõe mais uma vez as tensões entre o STF e figuras públicas investigadas, reacendendo debates sobre a atuação da Corte em casos de grande repercussão.



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