Mauro Cid pode ter descumprido delação ao usar redes sociais

Nas mensagens, Cid relatou pressões dos investigadores, que, segundo ele, tentavam direcionar as oitivas para um suposto golpe, enquanto ele negava essa narrativa
Por: Brado Jornal 13.jun.2025 às 07h39
Mauro Cid pode ter descumprido delação ao usar redes sociais
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Mensagens reveladas pela revista Veja sugerem que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, teria violado as restrições de sua delação premiada ao utilizar redes sociais durante o período proibido. A informação contraria o depoimento prestado por Cid ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (9.jun.2025), onde negou qualquer uso de redes sociais.

Conflitos com o STF e acusações de mentira

Durante interrogatório no STF, Cid foi questionado pelo advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, sobre o uso do perfil @gabrielar702

 no Instagram, que seria utilizado para conversas com aliados bolsonaristas. Cid hesitou e disse não saber se a conta pertencia à sua esposa. Vilardi acusou o militar de “memória seletiva” e de mentir, apontando contradições em seus depoimentos, como a menção a uma suposta reunião com empresários que nunca ocorreu.

Conteúdo das mensagens

As conversas, que teriam ocorrido entre janeiro e março de 2024, cinco meses após o acordo de delação, mostram Cid criticando as investigações da Polícia Federal (PF) e o ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “cão de ataque” e acusou de ter uma “sentença pronta”. Ele também expressou pessimismo sobre uma possível absolvição, sugerindo que apenas uma intervenção do Congresso ou a eleição de Donald Trump nos EUA poderia alterar o curso do processo. “Acho que já perdemos. Os coronéis da PM do DF vão pegar 30 anos, e depois vem para a gente”, escreveu.

Nas mensagens, Cid relatou pressões dos investigadores, que, segundo ele, tentavam direcionar as oitivas para um suposto golpe, enquanto ele negava essa narrativa. Ele também minimizou a atuação de Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente “não iria fazer nada” em relação a medidas antidemocráticas. Além disso, Cid questionou a eficácia das petições de seus advogados, chamando o STF de “comprometido” e revelando detalhes de bastidores das audiências, algo que contraria o sigilo exigido na delação.

Riscos para a delação

A delação de Cid é peça-chave nas investigações sobre o chamado “núcleo crucial”, grupo que inclui Bolsonaro, ex-ministros e militares acusados de planejar ações para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. Cid confirmou ao STF que Bolsonaro editou uma “minuta do golpe” e que o general Estevam Theophilo, do Alto Comando do Exército, teria declarado apoio a um eventual decreto golpista. 

Caso o descumprimento das regras da delação seja confirmado, Cid pode perder os benefícios do acordo, como perdão judicial ou pena máxima de dois anos, e passar a responder como réu, enfrentando até 40 anos de prisão. Mentir ao STF também pode configurar novo crime, embora as consequências legais ainda sejam incertas.

Defesa de Bolsonaro reage

Em março, os advogados de Bolsonaro pediram ao STF a anulação da delação de Cid, alegando que o acordo contém “mentiras, omissões e contradições”. A defesa sustenta que as declarações do ex-ajudante são inconsistentes e comprometem a validade do processo. As mensagens publicadas pela Veja reforçam a tese de que Cid pode estar jogando um “duplo jogo”, fornecendo informações à PF enquanto compartilhava versões diferentes com aliados.

O caso segue sob análise do ministro Alexandre de Moraes, e os desdobramentos podem impactar diretamente as investigações sobre as movimentações antidemocráticas.




📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
ACM Neto ironiza fotos falsas da ponte Salvador-Itaparica
Ex-prefeito diz que só se engana quem quiser e critica uso de imagem da China por aliado de Jerônimo
Lula teve câncer de pele no couro cabeludo e já foi operado
Presidente passou por cirurgia para retirada de tumor benigno e recebeu alta no mesmo dia
Glenda Varotto, conhecida como Espectro Cinza, deixa o MBL em comum acordo por questões pessoais
Influenciadora desmente rumores de desentendimentos internos envolvendo Gabriel Piauhy
Lula escolhe QG próximo à sede do PT para campanha à reeleição
Comando da campanha presidencial ficará em Brasília, enquanto Haddad usará sede de 2022 em São Paulo
PT mira aliança com liberais no 8º congresso nacional
Partido discute tática eleitoral para 2026 e abre portas para setores liberais contra direita
Paolo Zampolli ofende brasileiras e gera nova polêmica como enviado de Trump
Empresário italiano, aliado próximo do presidente americano, acumula declarações controversas e histórico de disputas pessoais
Carregando..