Oposição critica Erika Hilton por contratar maquiadores como assessores

O líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), afirmou que os profissionais atuam, na prática, como cabeleireiros pessoais da deputada, o que configuraria uso indevido de recursos públicos
Por: Brado Jornal 25.jun.2025 às 08h09 - Atualizado: 25.jun.2025 às 08h10
Oposição critica Erika Hilton por contratar maquiadores como assessores
Postagem de Ronaldo Hass, contratado como secretário parlamentar da deputada Erika Hilton — Foto: Reprodução/Instagram

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) enfrenta questionamentos da oposição após contratar dois maquiadores profissionais, Ronaldo Cesar Camargo Hass e Índy Cunha Montiel da Rocha, como secretários parlamentares em seu gabinete, com salários de R$ 9.678 e R$ 2.126, respectivamente. A informação, publicada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada no portal da Câmara dos Deputados, gerou críticas de parlamentares do PL, que acusam a deputada de desvio de função e uso indevido de verbas públicas.

Os assessores, contratados desde 2024, são maquiadores conhecidos e utilizam suas redes sociais para divulgar trabalhos do tipo, incluindo maquiagens feitas para Erika Hilton, como as realizadas para a Marsha Trans e o ensaio técnico da escola de samba Paraíso do Tuiuti. Parlamentares da oposição, como o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), alegam que não há evidências de que Ronaldo e Índy desempenhem funções legislativas compatíveis com os cargos. O PL protocolou representações no Conselho de Ética da Câmara, por suposta quebra de decoro, e no Ministério Público Federal, por possível improbidade administrativa.


Informações sobre a remuneração de Ronaldo Hass, que integra o gabinete da deputada Erika Hilton — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados

O líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), afirmou que os profissionais atuam, na prática, como cabeleireiros pessoais da deputada, o que configuraria uso indevido de recursos públicos. “É inadmissível que o Congresso tolere o uso da máquina pública para fins particulares”, declarou. A Mesa Diretora da Câmara avaliará se há elementos suficientes para encaminhar o caso ao Conselho de Ética.

Em resposta, Erika Hilton negou as acusações, classificando-as como “invenções” de parlamentares da extrema-direita. Em nota e nas redes sociais, ela defendeu que Ronaldo e Índy integram sua equipe de assessores, desempenhando funções como elaboração de relatórios, participação em comissões, audiências e atendimento à população em agendas em São Paulo, Brasília, interiores e no exterior. “Eles prestam um serviço excepcional, e posso comprovar suas atividades”, afirmou. A deputada admitiu que os contratou inicialmente como maquiadores, mas destacou que identificou neles outras competências profissionais, sem especificá-las.

Erika também sugeriu que as críticas são uma forma de perseguição política, motivada por sua proposta de emenda à Constituição para reduzir a jornada de trabalho, conhecida como PEC do fim da escala 6x1. “Que a insatisfação desses políticos e empresários continue. Meu gabinete seguirá trabalhando”, declarou.

Cada deputado federal dispõe de R$ 133.170,54 mensais para contratar até 25 secretários parlamentares, com salários entre R$ 1.548,10 e R$ 18.719,88, além de um salário mensal de R$ 46.366. Segundo o portal da Câmara, Erika mantém 14 assessores em seu gabinete. Nas redes sociais, Índy se apresenta como “beauty artist” e “fashion enthusiast”, enquanto Ronaldo destaca seu trabalho com cabelo e maquiagem, sem menções recentes a atividades parlamentares.



Informações sobre a remuneração de Índy Montiel, que integra o gabinete da deputada Erika Hilton — Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados



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