Oposição critica acordo do STF que exclui ressarcimento do INSS do teto fiscal

A AGU justificou a necessidade de abrir crédito extraordinário por Medida Provisória, “dada a urgência e a imprevisibilidade do cenário que se revelou a partir das investigações policiais”
Por: Brado Jornal 04.jul.2025 às 07h31
Oposição critica acordo do STF que exclui ressarcimento do INSS do teto fiscal
Foto: Mário Agra / Câmara

Parlamentares de oposição e do centro reagiram com críticas à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), homologada nesta quinta-feira (3) pelo ministro Dias Toffoli, que autoriza o ressarcimento de vítimas de fraudes no INSS sem considerar o teto de gastos para 2025 e 2026. O acordo, proposto pela Advocacia-Geral da União (AGU), ainda será analisado pelo plenário virtual do STF, mas já está em vigor.

A AGU justificou a necessidade de abrir crédito extraordinário por Medida Provisória, “dada a urgência e a imprevisibilidade do cenário que se revelou a partir das investigações policiais”. A União cobrirá os custos dos ressarcimentos quando as entidades envolvidas não responderem às contestações dos beneficiários fraudados, enquanto busca recuperar quase R$ 3 bilhões bloqueados de 12 empresas e seus sócios na Justiça Federal para compensar as vítimas.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou duramente a medida: “Era tudo o que o PT gostaria. Os brasileiros vão pagar pelo roubo duas vezes. O Governo não conseguiu ainda ir atrás de quem roubou e recuperar o dinheiro roubado”. Para ele, a exclusão do teto de gastos agravará o déficit fiscal: “O STF, que deveria ajudar na caça aos ladrões, abre a porta para a impunidade dos ladrões e faz essa flexibilização ao governo. Veremos em breve a reação do mercado, que não deverá ser satisfatória. Dessa forma, as taxas de juros continuam altas, a economia continua mal”.

O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator do grupo de trabalho da reforma administrativa, classificou o acordo como parte de um “sistema de irresponsabilidades institucionais compartilhadas”. Ele afirmou: “Nossas instituições não aprendem que regra fiscal é para ser cumprida, que esse comportamento perdulário, de déficits orçamentários crônicos e sucessivos, ao longo de muitos anos, se transformou em uma ‘bola de ferro’ que escraviza o Brasil a crescimento medíocres e um Estado que não consegue gerar confiança, investimento estruturante e políticas sociais que se sustentem no longo prazo e não são suficientes para reverter nossa profunda desigualdade. Uma lástima.”

Evair de Melo (PP-ES), vice-líder da oposição, chamou a proposta de “mais uma manobra do governo Lula para tentar maquiar a realidade de um esquema bilionário que saqueou recursos públicos e destruiu a dignidade de milhões de aposentados e pensionistas”. Ele acrescentou: “Essa proposta de ressarcimento anunciada às pressas é uma confissão disfarçada, que não apaga a responsabilidade direta do Poder Executivo pela omissão, pela conivência e pela incompetência criminosa diante das fraudes generalizadas. O trabalhador paga duas vezes. O brasileiro foi roubado e agora tem que contribuir com impostos para ‘ajudar’ o governo.” Para ele, é essencial instalar a CPMI do INSS: “É inadmissível que se queira empurrar esse escândalo para debaixo do tapete com acordos de bastidor. É urgente a instalação da CPMI do INSS para que o Parlamento cumpra seu dever e revele ao Brasil quem se beneficiou desse roubo vergonhoso e institucionalizado. O povo brasileiro não aceita desculpas esfarrapadas. Quer justiça, transparência e responsabilização exemplar dos culpados.”

Marcel van Hattem (Novo-RS), líder do Novo, acusou o STF de interferir nas prerrogativas do Congresso: “A decisão do ministro Toffoli, ao retirar os gastos com o escândalo do INSS da meta fiscal, cria uma contabilidade paralela, fictícia, que viola a transparência das contas públicas e destrói o que restava da credibilidade do arcabouço fiscal. A fraude bilionária que atingiu milhões de aposentados é gravíssima, os responsáveis precisam ser punidos e as vítimas ressarcidas, mas por quem fraudou, não pelo pagador de impostos.” Ele alertou para implicações eleitorais: “O governo tem a obrigação de cortar na própria carne, e não de usar essa tragédia como pretexto para driblar a lei e abrir espaço para mais gastos em pleno ano eleitoral. Essa decisão fere o equilíbrio fiscal e o STF acaba interfere, assim, no processo eleitoral de 2026, dando ainda mais força para a máquina do governo gastar”.




📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Trump exclui Tucker Carlson do movimento MAGA
Presidente afirma que ex-aliado "perdeu o rumo" após críticas à operação militar contra o Irã e reforça que o MAGA representa seus próprios princípios
Silêncio do PGR diante do escândalo Vorcaro e ministros do STF inquieta brasileiros
Revelações sobre relações entre banqueiro e autoridades do judiciário geram questionamentos sobre demora em investigações urgentes
Amiga de Lulinha envia recado ameaçador cobrando proteção de emissários de Lula
Roberta Luchsinger, investigada em esquema de fraudes no INSS, alertou que não cairá sozinha e exige amparo em meio a quebras de sigilo autorizadas pelo STF
Defesa de Vorcaro solicita ao STF apuração de vazamentos sigilosos
Advogados pedem investigação sobre origem de divulgações de mensagens de celulares apreendidos, alegando violação de dever de sigilo por autoridades e prejuízo ao processo
Carregando..