Crise na Secretaria de Cultura da Bahia
A classe artística da Bahia intensificou as críticas ao secretário de Cultura, Bruno Monteiro, com um manifesto recente que expôs insatisfações com sua gestão. Segundo fontes do setor, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, tem apoiado discretamente a pressão pela saída de Monteiro. As queixas apontam para a falta de planejamento, ineficiência na execução de projetos e editais, e desconhecimento do setor cultural. Apesar das críticas, inclusive vindas de Brasília, Monteiro segue no cargo, segundo fontes do governo.Por que Monteiro resiste no cargo?
Três fatores podem explicar a permanência de Bruno Monteiro na Secretaria de Cultura. Primeiro, o apoio do senador Jaques Wagner (PT), que o indicou no início do governo. Segundo, a proximidade conquistada com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), com quem Monteiro mantém uma relação de confiança, sendo descrito por uma fonte como “um grande bajulador do governador”. Por fim, especula-se que ele conte com o respaldo da primeira-dama Janja da Silva. Esses elementos, isolados ou combinados, garantem sua posição.
Atrasos em pagamentos paralisam obras
Fornecedores das secretarias de Infraestrutura (Seinfra) e Desenvolvimento Urbano (Sedur) suspenderam obras devido a atrasos de pagamento superiores a 90 dias. Essa situação gerou descontentamento no empresariado, que sinaliza retaliação ao governo nas próximas eleições, indicando que o apoio recebido em campanhas anteriores não se repetirá.
Alckmin e a indústria automotiva
O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (PSB) é apontado por petistas baianos como responsável por vitórias da indústria automotiva paulista. Ele elevou o imposto de importação de carros elétricos e híbridos para 35%, atendendo aos interesses da indústria tradicional. A medida é vista como um revés para o governador Jerônimo Rodrigues, que também foi surpreendido pela ausência de Alckmin na Index Bahia 2025, em Salvador, devido a uma agenda no México.
Bahia estagnada no Ranking de Competitividade
O Ranking de Competitividade dos Estados, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), manteve a Bahia na 22ª posição entre as 27 unidades da federação, sendo o segundo pior desempenho do Nordeste, à frente apenas do Maranhão. Apesar de avanços em três indicadores, o estado registrou quedas em seis áreas, com destaque para Segurança Pública e Solidez Fiscal, ambas com retração de seis pontos. O resultado evidencia dificuldades em atrair investimentos e promover desenvolvimento sustentável após quase duas décadas de gestões do PT.
Nordeste em contraste
Enquanto a Bahia permanece estagnada, outros estados nordestinos avançaram no Ranking de Competitividade. O Rio Grande do Norte subiu oito posições, alcançando o 16º lugar, e Sergipe avançou seis, chegando ao 12º, com melhorias em Segurança e Infraestrutura. São Paulo, Santa Catarina e Paraná lideram o ranking, enquanto Pará, Acre e Amapá ocupam as últimas posições, próximas à Bahia.
Erro legislativo expõe fragilidades
Na Assembleia Legislativa, um episódio constrangedor marcou a gestão de Jerônimo Rodrigues. Um projeto do governo, que alterava o fundo de custeio de cartórios deficitários, foi aprovado com forte articulação da base, mas vetado pelo próprio governador por risco de fechar mais de 200 cartórios no interior. O líder governista Rosemberg Pinto (PT) enfrentou críticas por defender a proposta, que expôs falhas técnicas do governo, como o cancelamento de um leilão do prédio do Colégio Odorico Tavares e a nomeação de um conselheiro do TCM sem sabatina.
Ataques à imprensa
O governo Jerônimo enfrentou críticas por atacar a imprensa após um erro em um projeto de reajuste salarial para servidores. O governador solicitou a retirada da proposta por excluir uma categoria, mas, em vez de assumir o equívoco, acusou portais de notícias de publicarem “fake news”. A Casa Civil chegou a usar uma peça com um gatinho gerado por inteligência artificial para desmentir a imprensa, mas apagou a publicação após repercussão negativa. O episódio reforçou a percepção de improvisos na gestão.
Insegurança jurídica na Assembleia
A presidente da Assembleia Legislativa, Ivana Bastos (PSD), foi alertada por um deputado experiente para seguir rigorosamente o regimento interno nas votações, evitando confiar apenas em acordos de lideranças. Esses acordos não podem se sobrepor às regras da Casa, sob risco de questionamentos judiciais, especialmente após a insegurança jurídica que marcou a gestão anterior.
Críticas a projeto de mineração
O deputado federal Gabriel Nunes (PSD) enfrenta críticas por um projeto aprovado na Comissão de Minas e Energia da Câmara, que reserva duas vagas de diretores da Agência Nacional de Mineração (ANM) para representantes de Minas Gerais e Pará. A proposta, relatada por Nunes, é vista como um desprestígio à mineração baiana, que compete em relevância com esses estados.
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