Hugo Motta rejeita liderança de Eduardo Bolsonaro e apoia diálogo com Trump

Decisão técnica e soberania nacional em destaque após veto à nomeação e encontro entre Lula e Trump na ONU
Por: Brado Jornal 24.set.2025 às 09h36
Hugo Motta rejeita liderança de Eduardo Bolsonaro e apoia diálogo com Trump
© Getty Images
O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, justificou nesta terça-feira (23) o veto à indicação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para o cargo de líder da minoria, classificando a decisão como “estritamente técnica”. A resolução, publicada no Diário Oficial da Câmara, foi motivada pela ausência de Eduardo nos Estados Unidos desde março, onde ele tem articulado pressões internacionais contra o Brasil, em resposta ao julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Motta explicou que a nomeação foi negada com base em parecer da secretaria-geral da Mesa Diretora, que apontou a incompatibilidade do exercício do mandato parlamentar fora do território nacional. “Decisão foi estritamente técnica, ouvimos o parecer da secretaria-geral da Mesa [Diretora] que decidiu por não haver a possibilidade do exercício do mandato parlamentar estando ausente do território nacional. Não há nenhum precedente da Casa [de exercer o mandato direto do exterior]”, afirmou Motta. Ele destacou que a liderança exige presença ativa no Congresso para atividades como propor projetos de lei e coordenar vice-lideranças, o que torna a situação de Eduardo inviável. “A Câmara não foi comunicada previamente sobre sua saída do país. Por esse critério técnico, é incompatível sua assunção à liderança da minoria na Câmara”, completou.

A indicação de Eduardo pelo PL visava contornar a obrigatoriedade de comparecimento às sessões, já que líderes partidários têm flexibilidade para justificar ausências. O partido se baseou em uma ata de 2015 da Mesa Diretora, que isentava líderes e membros da Mesa de registrar presença devido às suas atribuições. Contudo, o parecer de Motta reforçou que a ausência de comunicação prévia sobre a saída de Eduardo do país viola normas regimentais, especialmente porque seu “autoexílio” nos EUA não foi formalmente justificado.

A decisão ocorre em meio a pressões do Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar manobras que garantissem a manutenção do mandato de Eduardo, que enfrenta denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposta coação no curso do processo contra seu pai. O deputado está nos EUA articulando sanções do governo de Donald Trump, como tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe.

Diplomacia e soberania em foco

Durante coletiva de imprensa, Motta também elogiou as recentes declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de diálogo com o Brasil. “Sempre defendi que o diálogo e a diplomacia do país possam ajudar os dois países que têm relação histórica. Defendo sempre que o governo brasileiro possa dirimir as dúvidas, em diálogo com o governo americano, poder deixar para trás essa questão das tarifas, das sanções”, declarou. Ele reforçou a importância de proteger a soberania nacional: “A nossa soberania não está em discussão, o Brasil precisa defender isso, como o presidente Lula fez hoje”.

O posicionamento de Motta reflete o contexto de um breve encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Assembleia-Geral das Nações Unidas, na terça-feira (23). Trump, em seu discurso, destacou uma “excelente química” com Lula e anunciou uma reunião agendada para a próxima semana, sem divulgar detalhes. “Eu só faço negócios com pessoas que eu gosto. E eu gostei dele, e ele de mim. Por pelo menos 30 segundos nós tivemos uma química excelente, isso é um bom sinal”, afirmou o presidente americano. Foi o primeiro contato entre os dois líderes desde a imposição de sanções dos EUA contra o Brasil, iniciadas em maio, em retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro.

Lula, por sua vez, usou seu discurso na ONU para criticar indiretamente as ações americanas, como sanções e intervenções militares no Caribe, defendendo a soberania brasileira e a independência de suas instituições. A postura de Lula ganhou apoio interno, com protestos contra as sanções americanas e a possibilidade de anistia a Bolsonaro, que enfraqueceram as chances de aprovação de propostas defendidas por aliados do ex-presidente.

A decisão de Motta e o encontro entre Lula e Trump sinalizam um momento de tensão e busca por diálogo nas relações Brasil-EUA, enquanto o STF e o governo brasileiro mantêm a defesa da autonomia nacional frente às pressões externas.


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Kleber Mendonça Filho menciona prisão de Bolsonaro após vitória de "O Agente Secreto" no Globo de Ouro
Diretor pernambucano destaca o fim de uma era política no Brasil durante coletiva de imprensa e incentiva jovens cineastas a usarem o cinema para expressar lutos sociais
Carlos Bolsonaro divulga foto do pai de cueca em crise de vômito
Piorou quadro de saúde de Bolsonaro, diz Carlos
Ministro indicado por Bolsonaro assumirá presidência do TSE nas eleições de 2026
Kassio Nunes Marques, atual vice-presidente da Corte Eleitoral, assumirá o comando do tribunal em maio de 2026 e coordenará o pleito presidencial do ano
Tensão interna e pressões políticas aceleram saída de Lewandowski da Justiça
Lewandowski assumiu a pasta em fevereiro de 2024 a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permaneceu quase dois anos
Trump inclinado a intervir no Irã em apoio aos manifestantes
Fontes israelenses revelam decisão americana de agir contra repressão do regime, em meio a protestos que ganham força
Milei recusa conversa com Lula sobre Venezuela e apoia vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições
Presidente argentino declara em entrevista que não tem interesse em dialogar com o brasileiro sobre a crise venezuelana, critica o “socialismo do século 21” e manifesta preferência aberta por Flávio Bolsonaro como futuro líder do Brasil, em meio a tensões bilaterais
Carregando..