Barroso destaca consolidação da democracia brasileira com julgamentos do 8 de Janeiro

Ministro reflete sobre gestão no STF e desafios da democracia ao passar comando a Edson Fachin
Por: Brado Jornal 29.set.2025 às 09h17
Barroso destaca consolidação da democracia brasileira com julgamentos do 8 de Janeiro
Antonio Augusto/STF
Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os julgamentos relacionados aos atos do 8 de Janeiro e à tentativa de golpe fortaleceram a democracia no Brasil. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo no domingo (28.set.2025), ele destacou que esses processos, embora desgastantes, foram essenciais para consolidar o regime democrático. “Democracias enfrentam momentos difíceis. Mas os que viveram a ditadura sabem que ela é bem pior”, declarou Barroso. Ele deixa a presidência do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda-feira (29.set.2025), sendo sucedido por Edson Fachin, que assume o comando da Corte por um mandato de dois anos.

Barroso avaliou sua gestão, encerrada em 29 de setembro de 2025, e reconheceu que os julgamentos do 8 de Janeiro geraram tensões no país, dificultando uma pacificação política plena. “Manteve a nação sob algum grau de tensão e impediu a pacificação política plena, que eu gostaria de ter ajudado a alinhavar. Mas esses julgamentos, desgastantes como possam ter sido, eram nosso dever e uma inevitabilidade. Com eles consolidamos nossa democracia e viramos a página dos ciclos do atraso, com golpes e contragolpes”, escreveu. Ele enfatizou que o Brasil vive o mais longo período de estabilidade institucional de sua história republicana, sem tortura, censura, desaparecidos ou fechamento do Congresso Nacional.

O ministro também abordou o papel do STF na sociedade brasileira, destacando que a Constituição do país é abrangente e aborda temas que frequentemente entram na esfera política. Segundo Barroso, o acesso facilitado à Corte por meio de ações diretas e a transparência dos julgamentos, transmitidos ao vivo, conferem ao Supremo um protagonismo em questões divisivas, como drogas, plataformas digitais, sistema prisional, execução imediata de condenações pelo júri, desintrusão de terras indígenas e proteção ambiental. “Esse arranjo institucional dá certo protagonismo ao Supremo, que decide algumas das questões mais divisivas da sociedade. Críticas a esse papel são legítimas e fazem parte do debate público e democrático”, afirmou. Contudo, ele reforçou que esse modelo garantiu estabilidade ao país.

Barroso também lamentou o custo pessoal enfrentado pelos ministros do STF durante sua gestão, mas destacou a importância de cumprir o dever institucional. “Só quem não soube a sombra não reconhece a luz”, concluiu, reforçando a relevância do trabalho da Corte para a manutenção da democracia.


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