Em entrevista concedida durante a ExpoCannabis, feira realizada entre 14 e 16 de novembro em São Paulo, o deputado estadual do Paraná Renato Freitas (PT) declarou abertamente que é “maconheiro” e que prefere o termo popular à expressão “canabizeiro”. Para ele, a proibição da cannabis no Brasil tem raízes racistas históricas.
“Eu fumo maconha, não fumo cannabis. A planta é maravilhosa e a criminalização dela no nosso país sempre foi de caráter absolutamente racista”, afirmou o parlamentar à revista digital Breeza. Freitas defendeu que políticos abandonem o medo de debater o tema abertamente e ironizou posturas evasivas: “Tem que parar com essa de ‘traguei mas não fumei’, ‘fumei mas não traguei’. Chega disso”.
O deputado revelou que já tentou cultivar a planta em casa, mas as mudas não prosperaram enquanto ele viajava; ficaram escondidas no banheiro pela mãe e “o bagulho não vingou”. Ele anunciou planos de criar uma associação de cultivo coletivo de cannabis medicinal voltada a pacientes vulneráveis, com prioridade para ex-detentos. “Queremos que egressos do sistema prisional tenham protagonismo nisso. Vamos poder fumar nossa maconha na cara da classe média branca e hipócrita de Curitiba. Isso será uma vitória”, declarou.
Freitas também cobrou maior presença negra no mercado da cannabis. “Enquanto esses eventos não ficarem mais negros, a maconha que a gente fuma vai continuar enriquecendo outros bolsos e outras políticas”, disse.
Histórico de polêmicas envolvendo o parlamentar
No dia 19 de novembro de 2025, um vídeo que mostra Renato Freitas trocando socos e chutes com o manobrista Wesley de Souza Silva viralizou nas redes. O deputado alegou ter sofrido racismo e humilhação, fraturou o nariz na briga e afirmou que nunca aprendeu a “abaixar a cabeça”. Imagens divulgadas posteriormente pelo advogado do manobrista mostram que a confusão começou quando o carro passou perto do deputado e de uma acompanhante que atravessavam a rua; depois, Freitas e seu assessor correram em direção a Silva e iniciaram as agressões.
Este não foi o primeiro episódio de violência envolvendo o petista. Em julho de 2021, ainda como vereador de Curitiba, ele foi detido pela Guarda Municipal durante ato contra Jair Bolsonaro após discussão com um homem que se dizia policial (e não era). A Guarda afirmou que Freitas agrediu o indivíduo com um megafone; a equipe do então vereador sustentou que ele foi atacado primeiro e depois asfixiado no chão.
Em maio de 2023, já deputado, Freitas acusou agentes da Polícia Federal de racismo e truculência ao ser levado para revista especial antes de voo para Londrina. A PF informou que apenas auxiliou agente de aviação civil; a assessoria do deputado negou que ele tenha se recusado ao procedimento.
Em junho de 2022, a Câmara de Curitiba cassou o mandato de vereador de Freitas por quebra de decoro após protesto antirracista dentro de uma igreja católica, com gritos de “racistas” e “fascistas” e bandeiras do PT e do PCB. Três meses depois, o STF suspendeu a cassação, entendendo que manifestações pacíficas em defesa da população negra não justificam perda de mandato.
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