A Comissão Europeia recebeu aprovação provisória dos países-membros nesta sexta-feira (9 de janeiro de 2026) para o acordo comercial com o Mercosul. O aval, confirmado por fontes diplomáticas e agências internacionais, supera resistências internas e pavimenta o caminho para a formalização do pacto, que une um mercado de mais de 700 milhões de consumidores.
O acordo, discutido desde o final dos anos 1990, prevê redução gradual de tarifas em mais de 90% do comércio bilateral, regras harmonizadas para produtos industriais e agrícolas, além de compromissos em investimentos e padrões regulatórios. Ele beneficia exportações europeias de maquinário, veículos, químicos e itens como vinhos e queijos, enquanto abre espaço para produtos agrícolas, minerais e celulose do Mercosul.Próximos passos até a entrada em vigor- Confirmação formal dos votos
Embaixadores dos 27 Estados-membros já indicaram apoio qualificado (mínimo de 15 países representando 65% da população do bloco). Os governos precisam enviar confirmações por escrito até o fim do dia no horário de Bruxelas (13h em Brasília). Apesar da oposição explícita de nações como França, Polônia, Áustria e Irlanda, a expectativa é de que a maioria se mantenha. - Assinatura oficial
Com o apoio consolidado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ganha autorização para assinar o tratado em nome da União Europeia. A cerimônia está prevista para segunda-feira (12), no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul. A assinatura, porém, é simbólica: o acordo não entra em vigor imediatamente. - Processo de ratificação
No lado europeu, o texto segue para análise e aprovação pelo Parlamento Europeu, etapa que pode durar semanas ou meses (com expectativa de votação simples). Dependendo da interpretação jurídica, partes específicas também podem exigir aval de parlamentos nacionais.
No Mercosul, o tratado precisa ser ratificado pelos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, pois gera obrigações legais internas, como cortes tarifários e ajustes regulatórios.
Enquanto a ratificação completa avança, UE e Mercosul podem negociar a aplicação provisória de cláusulas, principalmente as de redução de tarifas, para antecipar benefícios econômicos.Divisões internas na EuropaO pacto divide opiniões no bloco europeu. Alemanha, Espanha e outros países apoiam o acordo por enxergarem chances de ampliar exportações, reduzir dependência da China e garantir suprimento de minerais estratégicos.
Já França, Polônia e Itália (apesar de recente mudança de posição italiana com concessões) lideram a resistência, temendo impactos negativos no setor agrícola pela concorrência de produtos sul-americanos mais competitivos em preço. Agricultores e grupos ambientalistas criticam o texto, alegando riscos a padrões locais.
Para mitigar essas preocupações, o acordo incorpora salvaguardas que permitem suspender importações sensíveis em caso de surtos excessivos, além de exigências ambientais mais rigorosas e monitoramento reforçado.Importância para o Mercosul e o BrasilPara o bloco sul-americano, o tratado representa acesso privilegiado a um mercado de 451 milhões de consumidores. O Brasil, como maior economia do grupo, assume papel central: avanços em sustentabilidade e controle ambiental são essenciais para facilitar a ratificação e maximizar ganhos no mercado europeu.
O acordo busca equilibrar interesses comerciais com proteções ao meio ambiente e à agricultura, mas a resistência de agricultores europeus indica que o caminho até a plena vigência ainda pode enfrentar obstáculos.
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