A possibilidade de uma delação premiada por parte de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, transformou-se em hipótese concreta nos últimos dias, especialmente após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, realizada na semana passada pela Polícia Federal. Fontes próximas às investigações indicam que uma oferta formal de colaboração entrou em discussão, embora a defesa do banqueiro negue publicamente qualquer negociação, prática comum em fases iniciais de apurações sensíveis.
Vorcaro, preso preventivamente em novembro de 2025 e solto posteriormente com tornozeleira eletrônica, é o principal investigado em esquema que envolve suspeitas de fraudes financeiras, gestão temerária, uso de instrumentos de alto risco e possível ocultação de patrimônio. A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, decretada no final de novembro, expôs milhares de investidores a prejuízos expressivos, enquanto empresas ligadas ao banqueiro adquiriram imóveis de luxo, aeronaves e outros bens de alto valor antes da intervenção.
A segunda fase aprofundou indícios de que o banco oferecia produtos inadequados ao perfil de investidores de varejo, com promessas de rentabilidade incompatíveis com os riscos reais. Operações envolveram captação via fundos, CDBs e estruturas de previdência privada, com recursos desviados para patrimônio pessoal e familiar. Investigadores avaliam que uma eventual colaboração de Vorcaro poderia detalhar não apenas a distribuição desses produtos, mas também os intermediários que os venderam ao público, agentes financeiros envolvidos na estruturação e eventuais proteções institucionais ou políticas que permitiram a continuidade das atividades.
O receio no mercado financeiro e entre políticos decorre do potencial alcance amplo da delação: revelações sobre bastidores de decisões que extrapolam o sistema bancário e alcançam o poder público. Embora sem confirmação oficial de acordo, o avanço da operação aumentou a pressão sobre Vorcaro, levando a especulações de que ele poderia esclarecer fluxos financeiros bilionários e relações com figuras influentes.
Em depoimentos recentes, como o prestado à PF no final de dezembro de 2025, Vorcaro demonstrou resistência inicial à delação, preocupando-se com vazamentos de mensagens e mantendo foco na insolvência do banco. Sua defesa nega irregularidades e aposta em contestações judiciais, incluindo ações no TCU para questionar a liquidação. No entanto, a circulação da hipótese de colaboração após buscas e apreensões recentes sinaliza mudança de cenário.
O caso já envolveu controvérsias no STF, com o ministro Dias Toffoli assumindo a relatoria após transferência do inquérito, decisões sobre sigilo e perícia, e questionamentos sobre imparcialidade devido a conexões indiretas, como aportes em empreendimento familiar via fundo ligado a investigados. Outros elementos incluem contrato milionário do escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o banco e relatos de contatos do ministro com o BC sobre o tema.
Até o momento, não há avanço oficial na delação, mas o tema domina discussões em Brasília: se concretizada, a colaboração poderia transformar o escândalo de financeiro em episódio político-institucional de grandes proporções, afetando reputações no mercado e no poder público. A defesa de Vorcaro reitera colaboração com as autoridades, mas sem acordo formal de delação premiada. As investigações prosseguem sob sigilo, com foco na elucidação completa dos fatos.
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