O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como seu sucessor natural na corrida presidencial de 2026, tem encontrado dificuldades para conquistar apoio entre líderes evangélicos. Pastores influentes evitam declarações públicas de endosso e questionam se o parlamentar possui a “densidade política” e a “musculatura” necessárias para representar o campo conservador em uma eleição nacional. Em contrapartida, ganha força a defesa de uma chapa alternativa: Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, na cabeça de chapa, com Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama, como vice.
Nos últimos dias, Flávio intensificou contatos com pastores e líderes religiosos, mas os gestos de apoio público não vieram. A avaliação predominante no segmento é que o senador, embora carregue o sobrenome mais forte do bolsonarismo, não tem a mesma capacidade de mobilização que o pai em 2018 nem o apelo natural de Michelle entre evangélicos e mulheres. Muitos veem contradições no discurso: rejeição ao “nome Bolsonaro” quando se trata de Flávio, mas aceitação quando o nome aparece na vice com Michelle.
A combinação Tarcísio-Michelle é considerada mais competitiva por vários motivos: Michelle garante a conexão direta com a base evangélica e capilaridade religiosa; Tarcísio traz imagem de competência administrativa, menor rejeição geral e força em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Atuações recentes conjuntas dos dois no Supremo Tribunal Federal, em articulações relacionadas ao ex-presidente, foram interpretadas por pastores como sinal de coordenação e potencial político maior do que o demonstrado por Flávio até agora.
Líderes evangélicos autorizados a dar assistência religiosa a Jair Bolsonaro na Papuda já defenderam publicamente Tarcísio como nome viável e sinalizaram conversas com Flávio para discutir o cenário. Há quem veja a preferência por Tarcísio como forma de preservar o bolsonarismo sem os entraves da condenação e da prisão do ex-presidente. Nas redes sociais, o debate reflete a divisão: parte dos apoiadores defende que “a chapa ideal é Tarcísio com Michelle”, enquanto outros falam em traição ou chantagem nos bastidores, citando visitas autorizadas e movimentações discretas.
O impasse ocorre em um momento delicado para o bolsonarismo, após a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e sua detenção no Complexo Penitenciário da Papuda. Em carta de dezembro de 2025, o ex-presidente indicou Flávio como sucessor, mas a resistência evangélica, peça-chave para a direita, complica a estratégia. Tarcísio, que reitera foco na reeleição em São Paulo e nega articulações presidenciais, continua subindo em pesquisas como alternativa pragmática. Michelle, com forte ligação religiosa, é vista como ponte indispensável para a base fiel.
O cenário pode evoluir nos próximos meses, com encontros previstos, como a visita de Tarcísio a Bolsonaro na prisão marcada para esta semana, podendo influenciar decisões. Enquanto o Planalto observa o racha com interesse, o campo bolsonarista enfrenta o desafio de encontrar unidade para enfrentar o PT em 2026 sem se fragmentar internamente.
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