A ministra da Cultura, Margareth Menezes, confirmou que não pretende abrir mão de sua participação no Carnaval de Salvador 2026, mesmo ocupando cargo com poder de decisão sobre verbas federais destinadas a eventos culturais.
Em entrevista recente, ela destacou que entrará de férias para se preparar artisticamente, enfatizando que o Trio da Cultura, projeto que comanda desde 2024, faz parte de sua trajetória como artista e que planeja um repertório especial para celebrar os 40 anos de carreira em 2027.
A declaração reacende o debate sobre possível conflito de interesses. Como titular do Ministério da Cultura, Margareth Menezes gerencia recursos públicos federais que financiam o Carnaval por meio de mecanismos como a Lei Aldir Blanc e, pela primeira vez em 2026, a Lei Rouanet.
Esses instrumentos envolvem incentivos fiscais e repasses que podem beneficiar blocos, trios e atrações diretamente ligados ao evento em que ela se apresenta.
Em 2025, a ministra recebeu R$ 640 mil em cachês pagos por prefeituras de Salvador (R$ 290 mil) e Fortaleza (R$ 350 mil) para shows de Carnaval, valores oriundos de verbas públicas municipais e estaduais.
A remuneração gerou representações no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público Federal (MPF), protocoladas por deputados da oposição que questionaram a compatibilidade entre a função ministerial e o recebimento de pagamentos de entes que recebem recursos federais do MinC.
Embora a Comissão de Ética Pública da Presidência tenha inicialmente vetado a prática em 2023, a posição foi revertida em fevereiro de 2025, dias antes dos shows, sob o argumento de que não havia conflito direto, já que os recursos não eram federais.
Margareth Menezes defendeu-se na ocasião afirmando que as apresentações ocorreram fora do horário de expediente e sem influência em decisões administrativas dos contratantes.
Para o Carnaval de 2026, não há informações públicas confirmadas sobre cachês ou patrocínios diretos à ministra ou ao seu trio.
No entanto, o fato de o Ministério da Cultura estar incentivando e direcionando recursos para o Carnaval baiano, incluindo apoio a blocos afros e manifestações tradicionais, levanta questionamentos sobre a separação entre a função pública e a carreira artística.
Críticos apontam que a dupla posição pode gerar percepção de favorecimento, especialmente em um ano pré-eleitoral municipal, quando eventos culturais ganham relevância política.
A ministra, por sua vez, reforça que os investimentos beneficiam o setor como um todo, geram emprego e renda, e que sua participação no Carnaval é parte legítima de sua identidade artística.
Até o momento, o Ministério da Cultura não divulgou protocolos específicos de ética ou blindagem para evitar conflitos em 2026. A expectativa é de que o tema volte a ser debatido à medida que se aproximar o período carnavalesco.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...