Cabo Gilberto defende CPMI do Banco Master e anulação de penas do 8/1

Líder da oposição na Câmara planeja pressão ao STF e prioriza derrubada de veto em ano eleitoral
Por: Brado Redação 21.jan.2026 às 14h59
Cabo Gilberto defende CPMI do Banco Master e anulação de penas do 8/1
Foto/Reprodução: Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba

O deputado Cabo Gilberto Silva, do PL da Paraíba, novo líder da oposição na Câmara dos Deputados, manifestou apoio à instalação de uma comissão parlamentar mista de inquérito para apurar os fatos envolvendo o Banco Master. Ao mesmo tempo, ele anunciou respaldo a uma proposta legislativa que pretende anular as condenações decorrentes dos acontecimentos de 8 de janeiro.

A estratégia da direita alinhada ao ex-presidente Bolsonaro inclui manter esses temas em evidência durante o período eleitoral, com ações que buscam questionar posicionamentos do Supremo Tribunal Federal e reivindicar revisões nas sentenças associadas ao suposto plano golpista.

Mesmo reconhecendo que a oposição ocupa posição minoritária na Casa e que mantém diálogo positivo com o centrão, o parlamentar avalia que iniciativas como a criação de comissões parlamentares de inquérito apresentam maior possibilidade de avanço em comparação com projetos que visam conceder benefícios ou anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

A proposta legislativa mencionada pelo deputado está sendo elaborada com a colaboração de advogados que representam pessoas presas após os ataques às sedes dos Três Poderes. O objetivo é promover alterações no Código Penal de modo a invalidar os crimes atribuídos, com base na argumentação de que os atos foram praticados sob influência de intensa emoção coletiva, caracterizada como efeito manada.

"Vamos defender o projeto. Mas vale lembrar aos amigos da direita que não temos maioria no Congresso Nacional", declarou o deputado em entrevista recente.

Ao retornar do recesso, a oposição pretende concentrar esforços na tentativa de derrubar o veto imposto pelo presidente Lula ao projeto de lei da dosimetria, que previa redução das penas aplicadas aos condenados por envolvimento na trama golpista. O líder classifica essa como a primeira grande missão da bancada bolsonarista em 2026 e informa que já mantém contatos com presidentes de partidos em busca de apoio parlamentar. Paralelamente, o grupo planeja continuar exercendo pressão sobre o Supremo Tribunal Federal para que, ao menos, seja concedida prisão domiciliar a Jair Bolsonaro e a outros condenados.

No que diz respeito às comissões de inquérito, Gilberto Silva defende a criação da CPMI do Banco Master e também de uma CPI dedicada a investigar possíveis abusos de autoridade. As duas iniciativas têm potencial de alcançar ministros do Supremo Tribunal Federal.

"Precisamos reestabelecer a verdade. A Suprema Corte está tomando decisões equivocadas, foram bilhões roubados pelo Master. Ele foi liquidado pelo Banco Central, que tem autonomia. Temos que respeitar, concordando ou não", afirmou o parlamentar.

O tema carrega sensibilidade política elevada, uma vez que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, firmou contrato milionário com a instituição financeira, e o ministro Dias Toffoli, responsável pela relatoria do caso no Supremo, realizou viagem acompanhado de advogado ligado ao banco em novembro.

Indagado sobre o risco de confronto direto, o deputado respondeu que não se trata de iniciar briga com ninguém, mas de defender o cumprimento da Constituição. "Moraes e Toffoli desrespeitam. Não é que vamos comprar briga. Vamos insistir também na CPI do abuso de autoridade, não temos como convocar ministros, mas temos como convocar seus juízes auxiliares. Infelizmente, só podemos pressionar politicamente".

Integrante da chamada bancada da bala e ex-cabo da Polícia Militar, Gilberto Silva considera que a proposta de emenda à Constituição voltada à reforma da segurança pública está praticamente inviabilizada. Apesar de integrar o pacote prioritário do governo para 2026 e de o presidente da Câmara ter sinalizado votação ainda neste semestre, o líder se posiciona contra o texto.

"Não concordamos. Teremos confusão de categorias, estou trabalhando contra a PEC. Não existe PEC sem valorização profissional. Sem resolver isso, como cobrar segurança? Deveria ter um piso nacional para policiais. Há estados que pagam R$ 12 mil e outros que pagam R$ 4.000. É preciso algo em torno de R$ 7.000", explicou.

Sobre o projeto antifacção, que sofreu modificações no Senado em relação ao aprovado na Câmara, o parlamentar critica as alterações e defende o retorno à versão original dos deputados. Ainda assim, ele reconhece que a posição da oposição não está consolidada e que haverá escuta aos demais colegas antes da definição final.

Entre as matérias de interesse do governo Lula previstas para tramitação neste ano estão a medida provisória do Gás do Povo, o fim da escala 6x1, a tarifa zero e a regulamentação do trabalho de motoristas de aplicativo. O líder da oposição não descarta eventual apoio, mas condiciona qualquer negociação a uma análise rigorosa do impacto fiscal de cada proposta.

"A gente sabe que tudo que o governo vai fazer este ano terá viés eleitoral. É preciso observar a economia, para o governo não quebrar as contas públicas. Eu, no Nordeste, estou mostrando que Lula engana o povo. Ele não entrega o que promete", criticou.

Questionado sobre o recente episódio de atrito entre o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Gilberto Silva minimizou o fato, afirmando que se trata de algo natural no processo de consolidação de candidaturas. "Até as eleições vamos todos trabalhar juntos contra Lula. Eu posso postar um vídeo de quem quer que seja, nem por isso estou apoiando."

Ele manifestou simpatia por governadores como Ratinho Júnior, do Paraná, e Romeu Zema, de Minas Gerais, por conta do bom relacionamento que mantêm com as forças policiais. "Nem por isso estou apoiando. Meu candidato é o senador Flávio."

Para o líder da oposição, o cenário permanece equilibrado. "O jogo está zero a zero. Todos vão seguir a orientação do presidente Bolsonaro."



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