O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ampliou conversas políticas de caráter nacional, marcou reuniões com empresários e investidores da Faria Lima e intensificou interlocução com profissionais de comunicação.
Enquanto ensaia essa nova fase de articulação pelo Palácio do Planalto, Tarcísio adiou uma visita que faria hoje (22) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no Complexo Penitenciário da Papuda (conhecido como Papudinha), em Brasília.
As movimentações foram interpretadas por aliados como retomada da tentativa de viabilizar-se na disputa presidencial de 2026, embora Tarcísio mantenha publicamente que disputará a reeleição em São Paulo.
O adiamento da visita ocorreu após declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, que afirmou ao jornal O Globo que Tarcísio ouviria de Bolsonaro que a postulação presidencial estava fora de cogitação e que a reeleição em São Paulo era essencial para a estratégia do bolsonarismo.
Tarcísio desmarcou o encontro após o recado, o que foi lido por aliados como tentativa de não se comprometer com a campanha de Flávio.
Antes do recuo, ele havia dito que ficava “satisfeito com a oportunidade de ver um amigo”. A iniciativa da visita partiu de Bolsonaro, e Tarcísio foi avisado antes de a defesa apresentar o pedido ao STF e receber autorização do ministro Alexandre de Moraes. A mudança gerou reações entre aliados do ex-presidente, como o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), que afirmou: “Fica realmente difícil entender. Milhões de brasileiros até pagariam para ter essa oportunidade”.
O governo de São Paulo reiterou que Tarcísio será candidato à reeleição e que não vai a Brasília por compromissos já agendados. Na semana passada, o governador disse publicamente que apoia a empreitada de Flávio.
Integrantes do Centrão, que ainda resistem à candidatura do senador, avaliam que Tarcísio entrou tarde no jogo nacional e agora tenta recuperar terreno. Dirigentes partidários próximos a ele não viam ganhos na visita e alertaram sobre riscos de associação precoce à estratégia da família Bolsonaro.
Um representante do Centrão afirmou: “Quanto mais a visita for adiada, melhor”.
O movimento é influenciado por setores empresariais, do mercado financeiro e segmentos evangélicos. Dois nomes próximos a Bolsonaro participam dessa articulação: o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten.
Tarcísio deve se reunir nas próximas semanas com grupo que inclui empresários como Flávio Rocha (Riachuelo), Richard Gerdau (Gerdau), Alexandre Ostrowiecki (Multilaser) e Mario Araripe (Casa dos Ventos).
Entre o empresariado e na Faria Lima, há desconfiança sobre a competitividade de Flávio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente pela rejeição de 55% do senador, contra 43% de Tarcísio. A leitura é que o governador teria maior capacidade de expandir o eleitorado.
A defesa da candidatura de Tarcísio encontra eco em lideranças evangélicas, como o pastor Silas Malafaia, que afirmou: “Para derrotar Lula e o PT, é Tarcísio presidente e Michelle vice. Flávio não tem musculatura”.
Tarcísio sondou marqueteiros como Lula Guimarães, Duda Lima e Paulo Vasconcelos para análises de cenário e testes de hipóteses. As conversas foram reservadas, focadas em discutir o cenário nacional e em São Paulo, mapear desenhos de chapa e ouvir sobre o comportamento do eleitorado em uma direita dividida. Interlocutores descrevem como consulta preliminar, sem tratativas formais de contratação.
Um deputado federal e liderança paulista do PP afirmou que Tarcísio “nunca deixou o jogo nacional” e está “falando com todo mundo” manifestando desejo de concorrer ao Planalto. Posicionamentos recentes de Michelle Bolsonaro foram interpretados como aval para retomada das articulações, com ela mantendo distância de Flávio e preferindo Tarcísio como alternativa contra Lula. Atritos incluem divulgação de carta de Bolsonaro por Flávio sem conhecimento de Michelle e episódios nas redes, como curtida dela em comentário de Cristiane Freitas (esposa de Tarcísio) sobre “o Brasil precisa de um novo CEO”.
Aliados de Tarcísio evitam ações contundentes para não ganhar pecha de “traidor” no bolsonarismo e adotam “jogo de espera” por eventuais notícias ruins que compliquem a candidatura de Flávio. O maior obstáculo é a disposição de Flávio com sinal verde de Bolsonaro. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou: “Acho muito difícil este arranjo. Flávio já está muito forte nas pesquisas e Tarcísio não vai disputar contra Bolsonaro”.
A pesquisa Quaest mais recente mostrou Lula na liderança, mas com avanço de Flávio (23% a 32% no primeiro turno). O prazo apertado e a complexidade de deixar a gestão de São Paulo sem planejamento são vistos como dificuldades adicionais.
Movimentações recentes:
19/01: Defesa de Bolsonaro pede autorização a Moraes para visita de Tarcísio.
20/01: Tarcísio confirma visita pela manhã; Flávio dá recado à tarde; governador cancela à noite por compromissos em SP.
21/01: Bolsonaristas reagem ao adiamento, interpretado como ganho de tempo pela oposição à candidatura de Flávio.
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