O ex-ministro João Roma, presidente estadual do Partido Liberal (PL) na Bahia, participou de última hora da "Caminhada pela Liberdade e Justiça", marcha a pé organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que partiu de Paracatu (MG) no dia 19 de janeiro de 2026 e chegou a Brasília (DF) após percorrer cerca de 240 quilômetros.
O ato reuniu bolsonaristas em defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro e de condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, com críticas a supostas perseguições políticas e excessos judiciais.
João Roma se incorporou ao grupo durante o trajeto, sendo fotografado e filmado ao lado de Nikolas Ferreira e outros apoiadores. Em declarações à imprensa, o líder partidário baiano destacou a mobilização como um gesto "pela justiça" e pela defesa de valores democráticos, reforçando sua alinhamento ao bolsonarismo nacional.
No entanto, a participação de Roma na caminhada ocorreu em um momento de intensas cobranças sobre seu silêncio em relação ao escândalo do Banco Master. O banco foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 por insolvência e suspeitas de fraudes bilionárias, com investigações da Polícia Federal (Operação Compliance Zero) apontando irregularidades como empréstimos consignados fraudulentos, venda de carteiras sem lastro e desvios estimados em mais de R$ 12 bilhões.
O presidente do PL Bahia vem sendo questionado sobre o silêncio em relação as conexões familiares e políticas com Augusto Ferreira Lima (Guga Lima), ex-CEO e sócio do Master, incluindo amizades antigas, proximidade social e negócios privados.
Apesar de aliados como o deputado Capitão Alden (PL-BA) assinarem o requerimento da CPMI específica para investigar o caso, que já ultrapassou as assinaturas necessárias, João Roma não se manifestou publicamente sobre o tema. Sua esposa, a deputada federal Roberta Roma (PL-BA), também optou por não assinar o requerimento da CPMI, o que gerou acusações de conflito de interesse e "silêncio baiano" sobre o caso.
Nikolas Ferreira, principal articulador da CPMI do Banco Master, tem exposto supostas ligações do banco com figuras do Judiciário e do sistema financeiro, mas a caminhada manteve foco oficial nas pautas de liberdade e justiça para Bolsonaro. Alguns analistas e postagens em redes sugerem que atos como esse podem criar cortina de fumaça sobre o escândalo do Banco Master.
A caminhada terminou sem incidentes graves, com acampamentos próximos ao Palácio do Planalto e críticas de opositores, incluindo provocações isoladas na rodovia. O evento consolidou Nikolas como liderança da direita jovem, enquanto a adesão de João Roma reforça sua posição no PL, mas sem dissipar as perguntas sobre sua postura diante do maior colapso financeiro recente do país.
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