A menos de 30 dias da divulgação oficial do Produto Interno Bruto (PIB) referente a 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta uma grave crise institucional marcada pela saída de quase toda a sua alta direção. O movimento começou com a demissão do presidente do órgão, Marcio Pochmann, seguida pela renúncia coletiva de diretores e coordenadores de áreas estratégicas.
Entre os nomes que deixaram os cargos estão a diretora de Pesquisas, Elizabeth Belo, responsável pelas principais sondagens econômicas e sociais do país, e o diretor de Geografia e Informações, Cláudio Stenner, além de coordenadores de contas nacionais, inflação e mercado de trabalho, setores diretamente envolvidos na elaboração e validação do PIB anual. A saída em bloco foi interpretada por fontes internas como uma reação à ingerência política crescente e à perda de autonomia técnica do instituto.
O afastamento de Pochmann ocorreu após pressões do governo federal, que questionava a metodologia e os resultados preliminares de indicadores sensíveis, como a inflação medida pelo IPCA e o desemprego. Críticos apontam que as mudanças coincidem com o período de fechamento das estimativas do PIB de 2025, que será divulgado em fevereiro de 2026 e servirá de base para projeções fiscais, metas de inflação e negociações internacionais.
O Ministério do Planejamento e Orçamento, ao qual o IBGE está vinculado, confirmou as saídas, mas afirmou que o instituto mantém plena capacidade operacional para entregar os resultados no prazo. A pasta destacou que novos nomes serão indicados em breve e que o processo de transição não comprometerá a qualidade técnica dos dados.
Entretanto, economistas e analistas de mercado expressaram preocupação com o timing das renúncias. A saída simultânea de especialistas de longa data levanta questionamentos sobre possíveis interferências políticas na produção de estatísticas oficiais, especialmente em ano pré-eleitoral, quando indicadores econômicos ganham peso ainda maior na percepção pública e nas decisões de política econômica.
O IBGE informou que os trabalhos técnicos seguem em andamento com as equipes remanescentes e que os cronogramas de divulgação permanecem inalterados. A crise, porém, reacende o debate sobre a necessidade de blindar o instituto contra pressões externas para preservar sua credibilidade junto a investidores, agências de rating e organismos internacionais.
📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO e receba os principais destaques do dia em primeira mão
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...