Ex-ministro Maílson da Nóbrega critica PT como obstáculo ao desenvolvimento econômico do Brasil

Economista aponta visão ultrapassada do partido, resistência a reformas e risco de crise fiscal em poucos anos; lançamento de livro destaca nove entraves ao crescimento
Por: Brado Jornal 18.fev.2026 às 07h19
Ex-ministro Maílson da Nóbrega critica PT como obstáculo ao desenvolvimento econômico do Brasil
Waldemir Barreto/Agência Senado
O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirmou, em entrevista concedida ao Poder360 nesta terça-feira (17 de fevereiro de 2026), que o Partido dos Trabalhadores (PT) representa um dos principais impedimentos para que o Brasil alcance o status de nação rica.

Segundo o economista, de 83 anos e sócio da Tendências Consultoria, o PT mantém-se preso a ideias econômicas originadas no final do século 19, inspiradas em partidos de esquerda europeus da época, que pregavam controle estatal dos meios de produção e gasto público elevado como motor de crescimento. Ele observa que esses partidos evoluíram ao longo do século 20, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, aceitando a economia de mercado como base para o desenvolvimento e o Estado como instrumento para reduzir desigualdades, uma transição que, na avaliação dele, o PT não realizou.

Maílson argumenta que essa orientação leva o partido a rejeitar reformas necessárias para elevar a produtividade, como privatizações de grandes estatais (Petrobras, Banco do Brasil e Correios, com salvaguardas para serviços essenciais), abertura econômica e redução do peso do Estado. Em vez disso, defende que o foco deveria estar na melhoria da educação, vista por ele como o principal fator para qualificação da mão de obra, inovação e ganhos de produtividade sustentáveis.

O ex-ministro lançou o livro “O Brasil ainda pode ser um país rico?”, no qual lista nove razões para o subdesenvolvimento persistente, incluindo a baixa qualidade da educação, a rigidez orçamentária da Constituição de 1988, excesso de vinculações de receitas, insustentabilidade fiscal e o papel excessivo de estatais.

Ele alerta para uma crise fiscal iminente em 2 a 3 anos, pois, sem mudanças, em 2027 todos os gastos primários do governo federal serão obrigatórios, eliminando margem para investimentos em áreas como ciência, cultura e infraestrutura. Entre as saídas propostas estão desvincular aposentadorias do salário mínimo, realizar nova reforma previdenciária e acabar com as vinculações obrigatórias de impostos para saúde e educação.

Maílson critica também a Justiça brasileira por não considerar impactos econômicos de decisões judiciais e elogia setores como o agronegócio, impulsionado pela Embrapa. Sobre o futuro político, ele avalia que o PT, mesmo se vencer em 2026, dificilmente será competitivo em 2030 sem atualização de suas ideias econômicas, e defende a necessidade de um partido de esquerda moderno para equilibrar o debate político no país.


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