O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), considerou encerrado o episódio da saída do senador Angelo Coronel (PSD) da base de apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia. O parlamentar migrou para o lado da oposição, aproximando-se do grupo comandado por ACM Neto (União Brasil), principal força oposicionista no estado.
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (23), durante a assinatura da ordem de serviço para implantação do Centro Comunitário pela Vida (Convive), em Feira de Santana, Rui Costa respondeu às perguntas sobre o tema de forma direta e encerrou qualquer possibilidade de prolongar a discussão. Ele repetiu a expressão já adotada por diversos líderes petistas locais: página virada. Segundo o ministro, não há motivo para revisitar o assunto ou lamentar a decisão. Angelo Coronel já anunciou publicamente sua pré-candidatura ao Senado e organizou sua chapa para a disputa.
Além do senador, seus filhos também deixaram o campo governista: o deputado federal Diego Coronel e o deputado estadual Angelo Coronel Filho.
Rui Costa, que é pré-candidato ao Senado na chapa composta por três ex-governadores e pelo vice Geraldo Jr. (MDB) – inicialmente conhecida como puro-sangue –, aproveitou o momento para fazer uma referência indireta à situação de Marcelo Nilo (Republicanos). O ex-deputado, que esperava conquistar uma das vagas senatoriais pelo bloco oposicionista, viu suas perspectivas diminuídas com a chegada de Angelo Coronel ao mesmo campo político.
O ministro observou que várias pessoas que aguardavam na fila, com promessas de vaga ao Senado, acabaram ficando de fora mais uma vez. Ele mencionou, em tom de ironia, que há quem tenha sido preterido uma, duas ou até três vezes.
O ex-governador baiano reforçou que a saída do senador não provoca abalo na base aliada ao governo do estado. Ele afirmou que não costuma lamentar decisões alheias e que cada político segue o rumo que considera adequado. Rui Costa lembrou que, em 2018, apoiou Angelo Coronel com total convicção de que aquela era a melhor alternativa disponível na ocasião.
Naquele pleito, a escolha implicou abrir mão da reeleição da então senadora Lídice da Mata (PSB), que aceitou compor a chapa e permanece integrada ao grupo até o momento atual. O ministro destacou que, se o critério de preservar quem já ocupa o cargo fosse absoluto, Lídice teria sido mantida como candidata. No entanto, a estratégia definida na época priorizou Angelo Coronel, e Lídice concordou com a decisão.
Rui Costa concluiu afirmando que respeita a escolha feita por Angelo Coronel agora, mas não concorda com ela. A declaração sinaliza o esforço do PT baiano em manter coesão interna e força na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026, enquanto a oposição ganha um novo aliado de peso com a incorporação do senador e de sua família política.
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