OAB solicita a Fachin o arquivamento do inquérito das fake news

Entidade questiona prolongamento e amplitude da apuração aberta em 2019 e pede reunião com presidente do STF para expor posicionamento
Por: Brado Redação 23.fev.2026 às 15h40
OAB solicita a Fachin o arquivamento do inquérito das fake news
Crédito: Antonio Augusto/STF

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entregou nesta segunda-feira (23.fev.2026) ofício ao Supremo Tribunal Federal requerendo o fim do inquérito das fake news. O documento foi recebido pelo ministro Edson Fachin, atual presidente da Corte.

Assinado pela Diretoria Nacional e por todos os presidentes das seccionais estaduais, o texto expressa “extrema preocupação institucional” com a manutenção prolongada de investigações de formato jurídico questionável. A OAB solicita audiência com Fachin para detalhar suas razões e recomenda evitar a abertura de novos procedimentos com características semelhantes de amplitude indefinida e expansiva.

Instaurado em março de 2019 pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o inquérito baseou-se em normas do Regimento Interno da Corte para apurar crimes contra o tribunal e seus membros. Alexandre de Moraes foi nomeado relator desde o início.

A entidade reconhece que a medida foi adotada em momento de “grave tensão institucional”, caracterizado por ofensas repetidas à honra e à segurança de ministros do Supremo. A OAB destaca que o STF exerceu função essencial na defesa da ordem constitucional e na garantia da estabilidade democrática naquela conjuntura.

Mesmo assim, a Ordem considera que, superada a fase mais crítica que justificou a criação do inquérito, deve-se observar com maior rigor os limites constitucionais da ação penal estatal. A principal crítica recai sobre a “elasticidade excessiva” do escopo investigativo, que incorporou ao longo do tempo fatos diversos e desconexos.

A inclusão mais recente envolve três servidores da Receita Federal e um do Serpro, alvos de operação de busca e apreensão determinada por Moraes. Eles respondem por suspeita de acesso indevido e vazamento de informações sigilosas de familiares de ministros da Corte.

Segundo a OAB, o inquérito, conforme a lógica do sistema processual brasileiro, deve se restringir à apuração de fatos concretos e delimitados, e não servir como instrumento aberto a absorver novas condutas à medida que supostas conexões surgem.

A defesa da democracia, argumenta a entidade, não se limita à repressão de ameaças institucionais, mas exige igualmente o cumprimento estrito do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da liberdade de expressão.

O ofício reforça a importância de salvaguardar o exercício livre de profissões indispensáveis à vida democrática, citando especialmente o jornalismo e, com destaque maior, as prerrogativas da advocacia.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Flávio conversa com Ciro Nogueira e marca encontro em última tentativa de aliança
Senador bolsonarista busca apoio da federação PP-União Brasil para sua pré-candidatura à Presidência e oferece vice
Wagner confirma chance de Lula na convenção estadual do PT
Senador baiano diz que presidente ainda não tem decisão final sobre presença no evento
Deputado critica Rui Costa por demora em obras na BR-324
Paulo Azi cobra promessas não cumpridas na rodovia e destaca fracasso da concessão iniciada em 2009
Real Time Big Data mostra Renan Santos em alta na corrida presidencial
Candidato do Partido Missão registra 9% das intenções de voto em levantamento nacional, com alta de três pontos percentuais
Governo afrouxa regras e libera R$ 536 milhões ao estado de Alcolumbre
Medida destrava empréstimo para o Amapá
Carregando..