Durante reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, realizada nesta quarta-feira (18), a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) relatou ter sofrido restrições em sua participação. A presidente do colegiado, Erika Hilton (PSOL-SP), teria interrompido manifestações de parlamentares da oposição e impedido o andamento de propostas apresentadas por elas, gerando acusações de silenciamento intencional.
Parlamentares oposicionistas afirmaram que documentos protocolados via sistema eletrônico da Câmara não foram aceitos pela mesa da comissão, sem explicação clara baseada no regimento interno. Entre as iniciativas barradas estavam uma moção de repúdio contra expressões usadas pela própria presidente em 11 de março, quando ela se referiu a críticos como “esgoto da sociedade”, “transfóbicos” e “imbecis”, e um pedido para audiência pública sobre censura e liberdade de expressão feminina.
A presidente da comissão justificou as negativas alegando problemas regimentais nos textos e informou que a secretaria técnica realizaria nova análise. Deputadas contrárias contestaram a medida, argumentando que o mecanismo de protocolo estaria funcionando como instrumento de filtro ideológico, violando a igualdade no processo legislativo.
Zanatta destacou: o sistema não deve servir para bloquear vozes discordantes, pois isso compromete a isonomia e o funcionamento digital do parlamento. Ela lembrou ainda episódio anterior, na sessão de instalação, em que Hilton deixou a presidência enquanto a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) falava, atitude que provocou indignação entre as presentes.
Em resposta aos fatos ocorridos, Zanatta concedeu coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara ao lado de outras parlamentares. No encontro, ela declarou enfaticamente que deputadas não aceitariam ser tratadas como “imbecis” ou “esgoto da sociedade”, reforçando que representam o fundamento das famílias e da sociedade brasileira, e que não tolerariam tentativas de calá-las.
A parlamentar catarinense informou ter protocolado, na terça-feira (17), representação junto ao Conselho de Ética da Câmara contra Erika Hilton por suposta quebra de decoro parlamentar, com base nas declarações feitas nas redes sociais no dia da eleição. Além disso, apresentou recurso formal ao presidente da Câmara, Hugo Motta, contestando a validade do pleito que escolheu Hilton para o cargo.
A eleição ocorreu em 11 de março, com apenas uma chapa registrada, indicada pelo PSOL. Na ocasião, participaram 21 parlamentares, sendo registrados 10 votos a favor da candidata e 12 em branco. Zanatta argumentou que o alto número de votos nulos representou protesto significativo, o qual deveria ter impedido a proclamação da vencedora, e que o processo não seguiu trâmites adequados nem contou com consulta ampla às integrantes da comissão.
Ela acrescentou que a articulação política reservou o comando ao PSOL sem envolver plenamente as titulares do colegiado. Fora do Congresso, uma petição pública contra a permanência de Hilton na presidência já superava 335 mil assinaturas, refletindo insatisfação além do ambiente parlamentar.
As deputadas da oposição anunciaram ainda a intenção de apresentar novo requerimento para audiência pública sobre os prejuízos da censura à liberdade de expressão das mulheres e suas implicações constitucionais. Zanatta enfatizou que todas as iniciativas seguirão os caminhos regimentais disponíveis, mas garantiu que o grupo manterá firmeza na defesa de sua atuação.A presidente da comissão reiterou que solicitará reexame dos requerimentos barrados, com possibilidade de inclusão na pauta futura caso sejam considerados compatíveis com as normas. Tanto o recurso dirigido a Hugo Motta quanto a representação no Conselho de Ética seguem em análise.
Zanatta finalizou afirmando que esforços para tornar as mulheres invisíveis não serão tolerados e que a reação ocorrerá com determinação. O episódio expõe as tensões no colegiado desde a escolha de sua atual liderança e indica que novos confrontos devem surgir nas próximas reuniões.
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