Prefeito de Porto Seguro cobra Jerônimo: “Se não pode ajudar, não atrapalhe”

Jânio Natal (PL) publica vídeo criticando falta de remédios, insumos e profissionais no Hospital Regional Luiz Eduardo Magalhães; gestor ameaça renunciar ao mandato se dados sobre repasses forem falsos e acusa estado de politizar a unidade
Por: Brado Jornal 23.mar.2026 às 10h01 - Atualizado: 23.mar.2026 às 10h12
Prefeito de Porto Seguro cobra Jerônimo: “Se não pode ajudar, não atrapalhe”
Divulgação
O prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal (PL), divulgou um vídeo nas redes sociais no sábado (21) cobrando providências urgentes do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e da secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, em relação às condições precárias do Hospital Regional Luiz Eduardo Magalhães.

Na gravação, o gestor municipal destacou graves deficiências na unidade, que atende Porto Seguro e sete outros municípios da 8ª região de saúde. Entre os problemas apontados estão a ausência de medicamentos essenciais, falta de profissionais, atrasos no pagamento de salários, especialmente no setor de oncologia, escassez de insumos cirúrgicos básicos como fios para procedimentos e ausência de ambulâncias, apesar de contratos vigentes com a empresa responsável.

Jânio Natal relatou casos em que pacientes são levados à sala de cirurgia, mas retornam ao leito por falta de material, aguardando meses por resolução. Ele enfatizou que o hospital, considerado referência regional no passado, hoje enfrenta colapso em serviços de alta complexidade, impactando diretamente pessoas com câncer e outras doenças graves que sofrem sem tratamento adequado.

O prefeito informou que a prefeitura de Porto Seguro repassa mais de R$ 12 milhões anuais ao hospital e que os municípios da região contribuem com cerca de R$ 30 milhões por ano no total. Ele afirmou estar disposto a renunciar ao mandato caso essas informações sejam comprovadamente falsas.

Em tom de apelo emocional, Natal criticou a gestão estadual por piorar a situação em vez de resolvê-la. “Seu governador, em vez de melhorar, piorou. Cadê o senhor? Vem aqui, eu vou com o senhor no hospital, não tem remédio, não tem insumos”, declarou, convidando Jerônimo a visitar a unidade para conferir pessoalmente as falhas.

Ele também questionou a politização do hospital, expressando receio de que contatos com pacientes ou funcionários resultem em demissões ou retaliações. “Tenho medo de visitar o hospital e alguém vir me dar um abraço e vocês demitirem porque fizeram do hospital um local político. Ninguém pode falar com o Prefeito que o Prefeito é contra o governo. Eu não sou contra o governo, eu sou a favor da Bahia”, disse.

O vídeo inclui relatos de dificuldades enfrentadas por pacientes, reforçando a urgência da cobrança. O prefeito destacou o contraste com ações da gestão municipal, que realizou mais de 7 mil cirurgias eletivas em unidade própria nos últimos 18 meses, e cobrou que o estado exija cumprimento dos contratos pela empresa gestora, incluindo fornecimento de ambulâncias, remédios e materiais.

A declaração culminou em um pedido direto: “Eu quero dizer ao senhor, à sua secretária, que o que a gente quer, na verdade, é que vocês cuidem da saúde da Bahia e dos baianos que estão
sofrendo e morrendo. Pelo amor de Deus, governador, pelo amor de Deus, secretária, cuide do nosso povo, cuide da nossa saúde”.

A fala reflete tensão entre a administração municipal (oposição) e o governo estadual (PT), com foco na saúde pública como prioridade acima de disputas políticas.

Fonte: Informe Baiano


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