Lula critica Trump e defende cooperação com a África

Presidente propõe transferir tecnologia agrícola brasileira para ajudar o continente africano a produzir alimentos e promover a paz, em contraste com a política externa dos Estados Unidos
Por: Brado Redação 23.abr.2026 às 16h48
Lula critica Trump e defende cooperação com a África
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil quer ajudar a África a produzir alimentos e promover a paz, em claro contraste com a postura do presidente americano Donald Trump, a quem acusou de buscar a guerra. A declaração foi feita nesta quinta-feira (23) durante a abertura da feira Brasil na Mesa, na sede da Embrapa Cerrados, em Planaltina, no Distrito Federal.

Lula defendeu que o Brasil intensifique a cooperação técnica com países africanos por meio de convênios entre universidades brasileiras e a Embrapa com instituições do continente. Segundo ele, a transferência de conhecimento agrícola seria uma forma de reparar a “dívida histórica” decorrente dos 350 anos de escravidão. “Não podemos pagar em dinheiro, mas podemos pagar transferindo tecnologia e conhecimento”, disse.

O presidente argumentou que nações ricas, que dispõem de recursos financeiros, deveriam direcionar investimentos para transformar a África em um grande produtor mundial de alimentos e biocombustíveis, em vez de gastar com armamentos. “Enquanto Trump quer fazer guerra, nós queremos ensinar o povo africano a fazer paz, produzindo alimentos e irrigando o mundo”, afirmou.

A fala ocorreu no evento que comemora os 53 anos da Embrapa, empresa pública referência em pesquisa agropecuária. Lula aproveitou o momento para elogiar medidas recentes de fortalecimento da Polícia Federal. Ele destacou a assinatura de decreto que cria mais mil vagas na corporação, somadas a outras mil abertas em dezembro, o que permitirá, pela primeira vez, preencher todos os cargos da instituição.

O presidente informou ainda que determinou o retorno ao quadro da PF de delegados e agentes que estão atuando fora da corporação. “Só vai ficar fora quem foi secretário de Estado. Os demais vão ter que voltar porque nós precisamos deles para derrotar o crime organizado”, declarou.

A declaração sobre a PF foi feita em meio a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O Departamento de Estado americano expulsou o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami. A medida ocorreu após suposta tentativa de manipular o sistema de imigração para contornar pedidos de extradição, episódio ligado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento em tentativa de golpe.

Em resposta, a Polícia Federal retirou as credenciais de um agente norte-americano que atuava no Brasil, com base no princípio da reciprocidade.



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